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domingo, 17 de abril de 2016

PLENÁRIA da VERGONHA - Votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff


PLENÁRIA da VERGONHA 
Hoje, 18 de abril, segunda-feira, acordei triste, com febre e forte dores de cabeça. Não somente por causa da virose, mas principalmente por saber que ontem,17 de abril, foi um dia histórico para todos nós brasileiros e que este dia, não foi um demonstrativo de avanço. Domingo, presenciamos um espetáculo circense, com roteiro e direção escrito e montado pelo presidente da câmara EDUARDO CUNHA, político sem escrúpulos, réu no Lava-Jato, denunciado ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria-Geral da República, por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de receber R$ 5 milhões em propinas.
As manifestações pró e contra impeachment ocuparam não somente a Esplanada dos Ministérios, mas as praças e ruas do nosso país, nos inquietando e provocando em nós...horas revolta...horas emoção. Desde muito jovem, participei intensamente das grandes manifestações políticas em meu país, e se nunca me filiei a nenhum partido político, foi exatamente por discordar das alianças "necessárias", por discordar das afirmativas "ele roubou, mas faz muito por São Paulo", ao referir-se a Maluf " ou " ele sucateou o Maranhão, mas é muito preparado" com relação a Sarney. Nunca engoli essas afirmações.
Lutamos pelas diretas e em pouco tempo, lutamos pelo impeachment de Collor, ao ficar comprovado seu envolvimento com corrupção. Quisera eu estar hoje comemorando a vitória da moralidade política no Brasil, como comemoramos a vitória das eleições diretas e qdo elegemos o nosso primeiro presidente pelo voto direto. Mas, o que se comemora nesse momento é o retrocesso da nossa História.
Confesso, que assim como chorei de emoção ao eleger Lula presidente, senti-me profundamente traída e incomodada ao vê-lo firmando alianças em nome do "mal necessário", com Collor, Sarney, Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e tantos outros, que a esquerda tando combateu no passado. Quando vi as alianças, já previa que o pior estava pra vir, os ideiais da Dilma não iriam se amoldar aos de Eduardo Cunha e dessa cambada de políticos de direita. Pior ainda, que presenciar essas alianças, foi imaginar os acordos que estariam sendo feitos para a continuidade do poder. E o PT, aquele partido de tantos líderes que lutaram pela Reforma Agrária, melhoria da Saúde, Educação, pela questão da Mulher e tantas outras bandeiras, começava a desnuvelar-se e a fazer bordados e costuras, que não agradavam os meus olhos. Muitos políticos, que me fizeram crer que na política é possível trabalhar com ética e sem corrupção, foram se afastando e rompendo com o PT. Como é caso da Heloisa Helena, Chico Alencar, Marina Silva, João Alfredo, Renato Roseno, Cristóvão Buarque e tantos outros. Mas, quando o ideal de igualdade, liberdade, emancipação do povo e garantia dos direitos democráticos são ameaçados, juntam-se todos "quando a alma não é pequena". Foi o que presenciamos nesse momento político, onde o PSOL, PCdoB, PT e muitos deputados do PDT, deixaram de lado as divergências políticas, para salvar um projeto maior em nome da nação.
De cama, acompanhei pela TV um verdadeiro espetáculo circense durante a votação do impeachment . Vi pela segunda vez, a votação do impeachment. Se antes, fui as ruas de cara pintada, camiseta estampando "Fora Collor", me dói o corpo, a cabeça e principalmente o coração ao testemunhar, que nesse momento em nosso país, configura-se um retrocesso político e histórico sem prescedente. No qual, os "aliados" da presidenta Dilma, Michel Temer, vice-presidente da república e Eduardo Cunha, presidente da cãmara, contrariados nos seus ambiciosos interesses, maniqueisticamente organizam mecanismos pra destituir do poder, a presidenta eleita democraticamente pelo povo.
Se em 1989, ocorreu a queda do Muro de Berlim, unindo não só a Alemanha Oriental e Ocidental, mas representando o fim da Guerra Fria e reintegração dos povos, me entristece observar através da TV, um Muro de um quilômetro de extensão na Esplanada dos Ministério, como método para separar os manifestantes em dois grupos. A idéia segregacionista só poderia ser de um fascista evangélico, que pretende dividir o Brasil entre os "bons" e os " maus", logicamente para ele liderar os "bons". Por isso, o muro foi batizado pelo povo, como muro da vergonha e ganhou as páginas dos jornais estrangeiros
DE QUEM FOI A IDÉIA ?!
De Eduardo Cunha ex-aliado político de Dilma Rousseff, político que juntamente com Michel Temer ,vice-presidente da República, ajudaram a presidente Dilma a reeleger-se. Mas, como já era de se esperar, de quem faz política por oportunismo e não por ideologia, a "dupla dinâmica" de articuladores do processo Pro Impeachment, trairam a presidenta e o pacto à favor da nação.
QUE PAÌS É ESSE?!
Onde um homem como Jair Bolsonaro, machista, racista, homofóbico e defensor da ditadura em toda América Latina é eleito deputado? Pior ainda, ver que deputados eleitos pelo povo e que deveriam defender os direitos humanos, aplaudiram ontem o Bolsonaro, qdo ele ao votar à favor do Impeachment., dedicou seu voto ao Carlos Alberto Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período do regime militar no Brasil. A Arquidiocese de São Paulo, por meio do projeto "Brasil Nunca Mais", denunciou mais de 500 casos de tortura cometidos dentro das dependências do Doi-Codi no período em que Ustra era o comandante, de 1970 a 1974.
Bolsonaro ainda na sessão, puxou o braço do deputado Jean Wyllys após o seu corajoso pronunciamento, dizendo:“veado”, “queima-rosca”, “boiola” e outras ofensas homofóbicas, provocando no calor da emoção, a reação imediata do deputado Wyllys, ao cuspir na cara de Bolsonaro. Nunca vi tanto horror num local, onde deveríamos presenciar bons exemplos.
Brasil presenciou ontem, um dos mais importantes fatos da História e ao mesmo tempo um Festival de Patifaria. A votação do impeachment presidida por um político, comprovadamente corrupto, seguido por bando de deputados, que na sua maioria jamais passariam na prova do ENEM. Muitos não entendiam a importância do voto de cada um, muito menos do que representaria naquele momento o voto de cada um. Era visível que ao votarem os deputados, não se posicionavam como responsáveis pelo destino da nação, ao justificarem o voto ao microfone, pareciam jogadores num cassino ou casa de Bingo. Votaram em nome dos filhos, da mãe, do pai e até chegaram a chamar o filho pra votar no seu lugar, não sendo aceito é claro.
Fui dormi com muita tristeza, vendo que avançamos no tempo e retrocedemos na nossa história política. Ao acordar, desejei ver manifestos nas redes sociais pedindo a saida do Eduardo Cunha. Afinal, os que torciam pelo Impeachment justificavam que queriam o fim da corrupção.
Mas, quanta decepção...o que vejo é muitos postando piadinhas favoráveis a Cunha, achando-o corajoso e afirmando que o mesmo é um "Mal Necessário" e até chamando-o de "meu Malvado Favorito".
BASTA!!! Chega de letargia, temos que nos unir e repudiar pessoas inescrupulosas, como Eduardo Cunha, Bolsonaro e seus aliados, sem TEMER.
Não podemos permitir que transformem nosso pais num picadeiro, como fizeram ontem.
Sigamos todos de mãos dadas contra essa corrupçao que instalou-se de forma vergonhosa na nossa política, em quase todos os partidos políticos. Que a gente siga sonhando, que é possível sim, fazer política sem alianças escusas e sem corrupção.
Que as investigações prossigam em todos os partidos e estados do Brasil. Que todos os envolvidos com corrupção, sejam exemplarmente punidos, a começar pelo afastamento de Eduardo Cunha no Senado. LUTEMOS!!!!
CONTINUEMOS na LUTA por um PAÍS JUSTO e DEMOCRÁTICO!


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domingo, 12 de abril de 2015

A MARCHA VERDE e AMARELA


Neste domingo, 12 de abril, os brasileiros voltam às ruas para protestarem contra o governo da presidente Dilma Rousseff, pelo fim da corrupção e pedirem o Impeachment. Tudo bem, vivemos numa Democracia fruto de muita Luta, por isso todos podem se expressarem livremente, irem às ruas e reivindicarem tudo o que quiserem e que acharem ser de direito. 
Eu também sou " Contra a Corrupção", torço pelo " Fim da Impunidade" e luto pela "Moralidade no Congresso".
Continuo acreditando na política, como algo necessário e importante pra vida de todos nós. Por isso, peço desculpas desde já aos "bem intencionados" e/ ou aos "inocentes úteis" manifestantes de hoje, por ter tido a impressão de que  muitos dos participantes estavam na passeata, como se fizessem parte de um evento dominical. Confesso que dói na minha alma, ver jovens ao lado dos seus pais, segurando faixas que mostram desconhecerem a Política Nacional, além do descompromisso com História do Brasil e com a Liberdade de Expressão.

Será que todos os manifestantes presentes nas passeatas, possuem consciência de que ao pedirem o Impeachment da presidenta Dilma, estão lutando para colocarem no poder Michel Temer, vice-presidente da República e atual aliado político da presidenta?!
Acho muito contraditório, levantarem a bandeira à favor da "Liberdade de Expressão"e permitirem que manifestantes  caminhem lado a lado, levantando faixas pedindo a Intervenção Militar e a volta da Ditadura.

Nada justifica...sei que muitos grupos se organizaram aleatoriamente através das redes sociais e que devemos respeitar o pensar diferente. Mas, não podemos esquecer os "ANOS de CHUMBO"... cruel período da Ditadura militar no Brasil (1964-1985). No qual, tanta gente morreu e foi torturada injustamente. Desconhecer esse período, é, no mínimo, desconhecer a história do País. 

Temos que lutar pelos Direitos Humanos, pela Igualdade de Direitos e pela garantia dos direitos constitucionais. Só assim, poderemos continuar marchando livremente pelas ruas e honrando a nossa bandeira. É preciso entender, que com a Intervenção Militar e a volta da Ditadura o que é VERDE apodrece e o sangue vermelho, que corre nas nossas veias e faz nosso coração pulsar, torna-se AMARELO. Fácil de imaginar, quantas milhares de mães teriam seus lares invadidos, seus filhos aprisionados  e até assassinados, em nome da Segurança Nacional.
Todo e qualquer livro, que você tiver na estante, poderá lhe incriminar e lhe comprometer. Livros??? Há...hoje, a vida gira em torno das mídias e redes sociais, instrumentos de comunicação que tornaram-se indispensáveis para todos nós. Por serem, facilitadores da comunicação e informação, nas ditaduras eles também são controlados.

Se durante a Ditadura Militar, muitos brasileiros foram torturados e presos, sem a mínima noção das razões que os levaram à condição de vítimas do Regime. Me preocupa observar, que nessas manifestações de 2015, com milhares de Homens e Mulheres de todas as idades, nem todos estão abraçando a mesma causa, que é a de " Combate a Corrupção". Diferente da passeata dos "Cem Mil", em 1968, uma das mais expressivas manifestações populares da República brasileira, onde todos protestavam contra a ditadura militar e a repressão. 

Os manifestantes de hoje, não percebem o perigo ameaçador para a Democracia, ao caminharem com os  que defendem  a " A Intervenção Militar".  Cansados de tanta corrupção na política, muitos não enxergam a possibilidade de estarem entrando num comboio, que poderá seguir por trilhos inesperados e ameaçadores para a Democracia, levando-os por caminhos desconhecidos e aterrorizantes, nos quais jamais desejariam estar.
Como a Vida imita a Arte, recomendo um pouco  de reflexão através da música de Zé Ramalho.


Vida De Gado

Zé Ramalho

Vocês que fazem parte dessa massa,
Que passa nos projetos, do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais, do que receber.
E ter que demonstrar, sua coragem

A margem do que possa aparecer.
E ver que toda essa, engrenagem
Já sente a ferrugem, lhe comer.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

O povo, foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores, tempos idos
Contemplam essa vida, com a cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo, se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz


A MARCHA DOS CEM MIL - 1968



26 de junho de 1968, composta por aproximadamente cem mil pessoas, entre elas artistas, intelectuais, padres, mães, estudantes e políticos, descontentes com o governo, ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro e realizaram o mais importante protesto contra a ditadura militar . 


Eva Todor, Tonia Carreiro, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel

Vladimir Palmeira, o líder do movimento civil, discursando durante a Passeata dos Cem Mil, em 1968

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Marina Silva protagoniza cenas de um Brasil melhor para o cineasta Fernando Meirelles












" Nem PSDB e nem PT criminalizaram a homofobia em seus governos e nem lançaram cartilhas com noções de tolerância em escolas, mas a Marina é quem paga o pato com o eleitor" Fernando Meirelles
                                                                       
Leia os principais trechos da entrevista  de Luciano Máximo com o Cineasta Fernando Meirelles
Valor: Você apoiou a Marina em 2010 e está com ela agora também.
Fernando Meirelles: Sim, com mais convicção. Nestes quatro anos, a Marina não parou de se reunir com pessoas de todas as áreas para compreender mais profundamente o país e se preparar para uma possível eleição. Os estudos que dão sustentação às ideias da Marina estão disponíveis no site do Instituto Democracia e Sustentabilidade [IDS].
Valor: O que o motivou a optar por ela nessas duas ocasiões?
Meirelles: A plataforma que mira desenvolvimento sustentável. Leio bastante sobre aquecimento global, crise da água, segurança alimentar, matrizes energéticas, esgotamento dos biomas naturais e dos recursos do planeta. Nada me tira mais o sono do que perceber que estamos numa rota de colisão e ver que a turma continua querendo acelerar e crescer. Marina tem visão de estadista, pensa no país que ficará para os nossos netos. Isso que faz toda a diferença.
Valor: Teve/tem participação efetiva nas campanhas de Marina?
Meirelles: Em 2010 queriam que eu fizesse o programa [de TV], mas eu não quis transformar minha vontade de participar em um trabalho, então ajudei a montar uma equipe de produção e dei uma de palpiteiro sem compromisso. Na campanha atual, como seria feita pelo pessoal do Eduardo, não me envolvi. Mas só participaria mesmo como voluntário.
Valor: As eleições deste ano serão diferentes do pleito de 2010?
Meirelles: Já estão e as chances de Marina vencer são grandes. Em 2010, Dilma era a continuação dos anos dourados que o Brasil viveu graças à China no mercado de commodities. A festa acabou e está cada vez mais claro que investir só em consumo deu errado. Pesquisas mostram que ninguém aguenta mais o velho pensamento político do confronto e da oposição.
Valor: Marina também está diferente de lá para cá? Vê evolução?
Meirelles: Como ela gosta de filosofia e psicologia, costumava ser muito analítica, conceituava cada ideia tornando seu discurso acadêmico e mais difícil. Agora está mais sintética e assertiva. Os quatro anos estudando o Brasil e conversando com gente de Norte a Sul deram-lhe estofo e segurança.
Valor: O que achou da decisão de Marina de se aliar ao PSB?
Meirelles: Calou quem dizia que ela era intransigente e sem cintura para o jogo político. Que outro político no Brasil com um cacife de 20 milhões de votos toparia ser vice numa chapa, só para poder ver algumas ideias que acredita contempladas no programa de governo? O negócio dela é o seu programa e não o poder.





 "Eles [a equipe do programa de governo] erraram e vão ter que absorver o tranco, engolir o choro e seguir"
Valor: Gostou do programa de governo de Marina?
Meirelles: Gostei. Pena que ninguém leia o programa. Ele propõe uma grande mudança para o país. São três eixos principais: o primeiro será manter as conquistas dos outros governos, tentando aprimorá-las, sem se importar se quem as inventou pode estar na oposição. Não se desperdiça boas ideias só por não serem de autoria do partido. O segundo é democratizar a democracia, que significa criar instrumentos, incluindo redes sociais, para que as decisões do governo reflitam de fato a vontade dos brasileiros. O terceiro é criar as bases para um desenvolvimento ambientalmente sustentável para podermos ter um país justo, com cidadãos livre e criativos. Diria que o capítulo sobre educação é o que mais me animou. A Marina quer recuperar a qualidade do ensino das escolas públicas, com ciência e cultura como pilares.
"Ela conceituava cada ideia com discurso acadêmico e mais difícil, agora está mais sintética e assertiva"
Valor: O que achou das mudanças anunciadas momentos depois?
Meirelles: Foi uma tremenda comida de bolas eles terem publicado a versão errada e depois voltado atrás. O fato de ter recuado foi um vacilo. Mas o programa toca em tantos pontos importantes que é uma pena que essa questão, também importante, esteja se tornando o fiel da balança. É tão difícil pegar a Marina no pulo que quando aparece um aluguel de avião ou a troca de "casamento" por "união estável" num documento, a turma aproveita e sai gritando. Faz parte, eles erraram e vão ter que absorver o tranco. Engolir o choro e seguir.
Valor: Marina é mais visada que os outros candidatos na abordagem de certos temas polêmicos, como direitos civis, religião, aborto?
Meirelles: Me parece que sim. Nem PSDB e nem PT criminalizaram a homofobia em seus governos e nem lançaram cartilhas com noções de tolerância em escolas, mas a Marina é quem paga o pato com o eleitor. Tanto a Dilma quanto o Aécio, que não creem, usam o nome de Deus em suas falas. Há duas semanas, na Assembleia de Deus, a Dilma começou seu discurso citando o salmo de Davi. Foi falsa como uma nota de dois dólares. Já a Marina, que crê de fato, paradoxalmente é a única que não usa Deus em seu discurso, mas é a única criticada por isso.
Valor: Como interpreta essa "nova política" que Marina tanto fala?
Meirelles: Parece ser o seu tema central, mas no programa a reforma política que ela propõe é só um instrumento para chegar ao que realmente interessa, que é a construção de um país afinado com os valores e a cultura do milênio em que estamos e não mais com a visão desenvolvimentista do século XX. Ela sabe que governar não é mais abrir estradas nem construir ferrovias. Claro que ferrovias precisam ser construídas e serão, mas um presidente precisa ter visão de país e de futuro, e é isso que ela tem de sobra e é isso que encanta quem a escuta com atenção.
Fonte: Valor

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Debate com candidatos à presidência da República, no SBT nesta segunda, 1º de setembro


O segundo debate entre os candidatos à Presidência da República, acontecerá nesta segunda, 1º de setembro das 17h45 às 19h25, no SBT em parceria com o portal UOL, a rádio Jovem Pan e o jornal Folha de S. Paulo. O evento será transmitido ao vivo pela emissora, com duração total  de uma hora e quarenta minutos.
O debate será mediado pelo jornalista Carlos Nascimento e os candidatos Marina Silva(PSB), Dilma Rousseff (PT), Aécio Neves (PSDB), Pastor Everaldo (PSC), Luciana Genro (PSOL), Eduardo Jorge (PV) e Levy Fidelix (PRTB), já confirmaram presença.
O debate terá um total de quatro blocos, com intervalos de três minutos entre eles. O primeiro será de perguntas livres entre os candidatos; o segundo, contará com perguntas de jornalistas feitas para os candidatos; o terceiro bloco terá, novamente, perguntas livres entre os presidenciáveis; e o quarto, contará com as considerações finais de cada um.

domingo, 10 de agosto de 2014

Dia dos Pais é Dia de Rememorar Boas Histórias


Francílio Dourado, durante o lançamento do livro "História do Brasil República e Ceará Estado" na Câmara Municipal de Fortaleza

Dourado, cor que reveste a ausência

por Lila Dourado em 01.nov.2010 às 12:16h

Só os pais, nos acolhem com amor incondicional,ao longo da nossas vidas,aguentam  nossas chatices, inquietações,  alegrias,tristezas, enfrentam conosco nossos medos, cuidam dos nossos ferimentos, para que estes não deixem cicatrizes, nem no físico, nem na alma .
Pai e Mãe, o que seria de nós, sem eles ? na verdade,nem existiríamos.

Acordei com saudades, do velho Dourado. Como dizia Gramsci," na hora da perda, a intensidade do sofrimento e dor será bem maior, se a escolha tiver sido o descaso". Minha relação com papai, sempre foi intensa no amor, respeito e carinho.  Por isso,  relembrar os bons momentos vividos me faz tão bem. Lembrei-me  de quando Lula foi eleito presidente e enquanto comemoravamos e cantavamos "Lula lá uma estrela brilha..."abraçando  meus irmãos Dourado e Marcílio, comemoravamos e choravamos, lembrando do nosso pai, que não estava ali pra testemunhar a vitória de um grande líder sindical.

A vitória da Dilma, foi uma grande conquista para a Mulher.Mas foi diferente, num outro contexto,com alianças que  deixaria meu pai indignado.Conhecia-o bem,seu jeito inquieto e verdadeiro de ser.Sempre que via o Plínio Arruda Sampaio do PSOL na TV. Lembrava-me de Francílio Dourado, como o inquieto político do PDT , que com seu jeito anárquico e brincalhão, tornou-se um opositor por convicção.

Após a vitória da Dilma, lembrei-me muito dele.A figura política do velho Dourado, reflete a somatória da postura do Plínio com a Marina.Lembro-me, que o mesmo afastou-se do PDT, partido do qual foi um dos fundadores no Ceará, quando Lúcio Alcântara filiou-se, dizendo" não posso continuar num partido, que aceita filiações de quem colaborou com o governos arenistas e ocupou cargos públicos durante a ditadura".

Lembro-me ainda,da forma alegre como presenteava os filhos,  ao chegar de suas viagens como jornalista político. Guardo com carinho, a primeira boneca, a vitrola, as agendas(que me serviam como diários), os livros e a máquina de escrever.Guardo ainda ,o seu primeiro panfleto de candidato a vereador,ao lado de outra mulher também inquieta, na luta por justiça social, a Rosa Fonseca.

Abrindo minha caixa de fotografias, como me  orgulho, vê-lo em passeatas, contra a ditadura militar, noutras ao lado de Brizola, Moema Santiago,Tereza Zerbini e seus fiéis amigos da política,Heitor Férrer e Araújo de Castro( que nos deixou a pouco tempo,pra continuar ao lado do amigo,lutando por um mundo melhor, lá de cima).
Sinto falta dos seus discursos inflamados, diante das alianças políticas que se orquestravam em prol das eleições e da alternância do poder.

Lembro-me bem, do jeito emocionado e cheio de orgulho, ao falar dos filhos. Brigar...ele brigou com todos, da mesma forma  e com a mesma intensidade que estendeu a mão e abriu os braços quando necessário.Atitude comum,não somente em relação aos filhos, mas extensiva a todos com os quais convivia,com os quais tinha afeto.

Francílio Dourado, rompia os padrões convencionais, tanto na convivência social como política. Seu jeito expontâneo e verdadeiro de ser, incomodava alguns, mas agradava a grande maioria dos que o conheciam.Foi um guerreiro na luta contra a ditadura e  contra o coronelismo no Ceará.

Quando criança, via meu pai como uma espécie de herói,cresci vendo suas inquietações e sabendo que quando ele ausentava-se de casa, era por estar percorrendo todo o estado do Ceará, fundando núcleos políticos, como fez com o MDB (partido que durante o regime militar,congregava as forças oposicionistas contra a Arena,partido da situação).

Francílio Dourado...quanto orgulho eu tinha e tenho ao chamá-lo de pai. Era de fato, um bom cidadão, um bom jornalista,um homem que advogava sempre em favor dos outros e que percorria os mais diversos caminhos à favor da educação.Nossa casa, serviu de abrigo para parentes,amigos... tinha sempre visitas, pessoas de baixa renda, que vinham em busca de ajuda para colocar seus filhos nas escolas e em cursinhos pré-vestibulares.Acredito, que minha grande paixão pela Chapada do Araripe,não deve-se somente a questão da beleza geográfica, arqueológica e a cultura do povo.Mas, principalmente pelo que meu pai plantou por lá, dos rastros que ele deixou.

Quando escuto  pessoas, que o conheceram falando dele de forma elogiosa, fico emocionada. Como ocorreu, quando o jornalista e ex-secretário de cultura, Auto Filho, me falou:
 " Seu pai ajudou muita gente, da forma mais expontânea e verdadeira.Muitos dos quais,ele nem percebia o quanto estava ajudando, por achar sua ação um ato natural .Sou muito grato ao Dourado, pela forma despretenciosa e consciente, com a qual ele me ajudou durante a ditadura".
Adísia Sá,outra profissional amiga e companheira do jornalismo,que aprendi a admirar através do meu pai, me deixou com a voz embargada, após um debate na Universidade ao afirmar:
" Minha filha, seu pai possuia características que são essenciais no jornalismo, a inquietude, o compromisso e a coragem , ele não só buscava a notícia, ele participava, se envolvia  sem se render.Por isso,não chegou ao poder,pois não mudava seu ponto de vista,não se vendia por nada,não se rendia nem mesmo ao partido  ao qual era filiado " .

Papai ,conquistou muitos amigos e não deixou inimigos.Cercou-se de pessoas que ainda hoje, nos abraça com a emoção e o carinho de quem abraça os filhos de um "Zoadento Guerreiro".
Também não deixou herança material,mas deixou para nós a certeza, de que o amor verdadeiro é incondicional e que é este amor, que deve alimentar as relações entre pais e filhos.
Saudades...saudades deste guerreiro que se foi e nos deixou com muitas histórias pra contar 


Francílio Dourado e Perpétua Dourado


Pai...
Teu olhar buscava o da minha mãe
Quando ela já carregava consigo,  um fruto prestes a germinar
Esse momento  registrado em foto, não tornou-se capa de revista.
Muito menos, comercial do Dia das Mães!
É apenas um registro, de que com simples click, um casal comum pode contar muitas histórias.  Revelando que mesmo com agruras cotidianas,pode ser possível construir castelos de sonhos reais e deixar bons rastros.
Aqui... o ventre da tua amada Perpétua, tem cor Lila...s !



 "As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis

sobre um fundo de manchas já cor de terra

— como são belas as tuas mãos —

pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram

na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,

essa beleza que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam

nos braços da tua cadeira predileta,

uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma..."
(Mario Quintana)

terça-feira, 29 de abril de 2014

Campanhas que reforçam o preconceito não combatem o racismo

À esquerda, foto de Neymar em apoio a Daniel Alves; À direita foto de Ota Benga, Zoológico do Bronx, Nova York, em 1906.

Contra o racismo nada de bananas, nada de macacos, por favor!

Por Douglas Belchior

 A foto da esquerda todo mundo viu. É o craque Neymar com seu filho no colo e duas bananas, em apoio a Daniel Alves e em repulsa ao racismo no mundo do futebol.
Já a foto à direita, é do pigmeu Ota Benga, que ficou em exibição junto a macacos no zoológico do Bronx, Nova York, em 1906. Ota foi levado do Congo para Nova York e sua exibição em um zoológico americano serviu como um exemplo do que os cientistas da época proclamaram ser uma raça evolucionária inferior ao ser humano. A história de Ota serviu para inflamar crenças sobre a supremacia racial ariana defendida por Hitler. Sua história é contada no documentário “The Human Zoo”.
A comparação entre negros e macacos é racista em sua essência. No entanto muitos não compreendem a gravidade da utilização da figura do macaco como uma ofensa, um insulto aos negros.
Encontrei essa forte história num artigo sensacional que li dia desses, e que também trazia reflexões de James Bradley, professor de História da Medicina na Universidade de Melbourne, na Austrália. Ele escreveu um texto com o título “O macaco como insulto: uma curta história de uma ideia racista”. Termina o artigo dizendo que “O sistema educacional não faz o suficiente para nos educar sobre a ciência ou a história do ser humano, porque se o fizesse, nós viveríamos o desaparecimento do uso do macaco como insulto.”
Não, querido Neymar. Não somos todos macacos. Ao menos não para efeito de fazer uso dessa expressão ou ideia como ferramenta de combate ao racismo.
Mas é bom separar: Uma coisa é a reação de Daniel Alves ao comer a banana jogada ao campo, num evidente e corriqueiro ato racista por parte da torcida; outra coisa é a campanha de apoio a Daniel e de denúncia ao racismo, promovida por Neymar.
No Brasil, a maioria dos jogadores de futebol advém de camadas mais pobres. Embora isso esteja mudando – porque o futebol mudou, ainda é assim. Dentre esses, a maioria dos que atingem grande sucesso são negros. Por buscarem o sonho de vencer na carreira desde cedo, pouco estudam. Os “fora de série” são descobertos cada vez mais cedo e depois de alçados à condição de estrelas vivem um mundo à parte, numa bolha. Poucos foram ou são aqueles que conseguem combinar genialidade esportiva e alguma coisa na cabeça. E quando o assunto é racismo, a tendência é piorar.
E Daniel comeu a banana! Ironia? Forma de protesto? Inteligência? Ora, ele mesmo respondeu na entrevista seguida ao jogo:
“Tem que ser assim! Não vamos mudar. Há 11 anos convivo com a mesma coisa na Espanha. Temos que rir desses retardados.”
É uma postura. Não há o que interpretar. Ele elaborou uma reação objetiva ao racismo: Vamos ignorar e rir!
Há um provérbio africano que diz: “Cada um vê o sol do meio dia a partir da janela de sua casa”. Do lugar de onde Daniel fala, do estrelato esportivo, dos ganhos milionários, da vida feita na Europa, da titularidade na seleção brasileira de futebol, para ele, isso é o melhor – e mais confortável, a se fazer: ignorar e rir. Vamos fazer piada! Vamos olhar para esses idiotas racistas e dizer: sou rico, seu babaca! Sou famoso! Tenho 5 Ferraris, idiota! Pode jogar bananas à vontade!
O racismo os incomoda. E os atinge. Mas de que maneira? Afinal, são ricos! E há quem diga que “enriqueceu, tá resolvido” ou que “problema é de classe”! O elemento econômico suaviza o efeito do racismo, mas não o anula. Nesse sentido, os racistas e as bananas prestam um serviço: Lembram a esses meninos que eles são negros e que o dinheiro e a fama não os tornam brancos!
Daniel Alves, Neymar, Dante, Balotelli e outros tantos jogadores de alto nível e salários pouca chance terão de ser confundidos com um assaltante e de ficar presos alguns dias como no caso do ator Vinícius; pouco provavelmente serão desaparecidos, depois de torturados e mortos, como foi Amarildo; nada indica que possam ter seus corpos arrastados por um carro da polícia como foi Cláudia ou ainda, não terão que correr da polícia e acabar sem vida com seus corpos jogados em uma creche qualquer. Apesar das bananas, dificilmente serão tratados como animais, ao buscarem vida digna como refugiados em algum país cordial, de franca democracia racial, assim como as centenas de Haitianos o fazem no Acre e em São Paulo.
O racismo não os atinge dessa maneira. Mas os atinge. E sua reação é proporcional. Cabe a nós dizer que sua reação não nos serve! Não será possível para nós, negras e negros brasileiros e de todo o mundo, que não tivemos o talento (ou sorte?) para o  estrelato, comer a banana de dinamite, ou chupar as balas dos fuzis, ou descascar a bainha das facas. Cabe a nós parafrasear Daniel, na invertida: “Não tem que ser assim! Nós precisamos mudar! Convivemos há 500 anos com a mesma coisa no Brasil. Temos que acabar com esses racistas retardados, especialmente os de farda e gravata”.
Quanto a Neymar, ele é bom de bola. E como quase todo gênio da bola, superacumula inteligência na ponta dos pés. Pousa com seu filho louro, sem saber que por ser louro, mesmo que se pendure num cacho de bananas, jamais será chamado de macaco. A ofensa, nesse caso, não fará sentido. Mas pensemos: sua maneira de rechaçar o racismo foi uma jogada de marketing ou apenas boa vontade? Seja o que for, não nos serve.
Sou negro, nascido em um país onde a violência e a pobreza são pressupostos para a vida da maior parte da população, que é negra. Querido Neymar – mas não: Luciano Hulk, Angélica, Reinaldo Azevedo, Aécio Neves, Dilma Rousseff, artistas e a imprensa que, de maneira geral, exaltou o “devorar da banana” e agora compartilham fotos empunhando a saborosa fruta, neste país, assim como em todo o mundo, a comparação de uma pessoa negra a um macaco é algo culturalmente ofensivo.
Eu como negro, não admito. Banana não é arma e tampouco serve como símbolo de luta contra o racismo. Ao contrário, o reafirma na medida em que relaciona o alvo a um macaco e principalmente na medida em que simplifica, desqualifica e pior, humoriza o debate sobre racismo no Brasil e no mundo.
O racismo é algo muito sério. Vivemos no Brasil uma escalada assombrosa da violência racista. Esse tipo de postura e reação despolitizadas e alienantes de esportistas, artistas, formadores de opinião e governantes tem um objetivo certo: escamotear seu real significado do racismo que gera desde bananas em campo de futebol até o genocídio negro que continua em todo o mundo.
Eu adoro banana. Aqui em casa nunca falta. E acho os macacos bichos incríveis, inteligentes e fortes. Adoro o filme Planeta dos Macacos e sempre que assisto, especialmente o primeiro, imagino o quanto os seres humanos merecem castigo parecido. Viemos deles e a história da evolução da espécie é linda. Mas se é para associar a origens, por que não dizer que #SomosTodosNegros ? Porque não dizer #SomosTodosDeÁfrica ? Porque não lembrar que é de África que viemos, todos e de todas as cores? E que por isso o racismo, em todas as suas formas, é uma estupidez incompatível com a própria evolução humana? E, se somos, por que nos tratamos assim?
Mas não. E seguem vocês, “olhando pra cá, curiosos, é lógico. Não, não é não, não é o zoológico”.
Portanto, nada de bananas, nada de macacos, por favor!

domingo, 13 de outubro de 2013

Marina Silva fala à Rede sobre a Coligação Democrática

Pessoas de Luta e Paz
Como todos nós temos acompanhado nos últimos dias, a coligação entre a Rede Sustentabilidade e o Partido Socialista Brasileiro (PSB) causou um grande impacto na política brasileira. Pela primeira vez, as certezas e as verdades que mais uma vez seriam apresentadas à sociedade brasileira em 2014 como inexoráveis e inabaláveis foram fragilizadas.
Nas palavras de Tarso Genro, que mesmo sendo um integrante histórico do PT teve a generosidade e a integridade intelectual para analisar este momento, o gesto de Marina alterou a lógica eleitoral do ano que vem. Disse ele: "Não será mais uma disputa entre a memória do governo Fernando Henrique Cardoso e a memória dos governos Lula e Dilma Rousseff. Será uma disputa sobre o futuro. (…) É uma mudança do padrão da disputa política".
Não é preciso repisar a injustiça que sofremos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Uma "situação de abuso", como bem caracterizou o ministro Gilmar Mendes. Mas não nos encolhemos diante do script que nos prepararam.
Hoje somos a Rede: reconhecida pelo stablishment político e pela sociedade brasileira como um partido de fato, embora ainda não de direito. Um partido com postura, valores e identidade a ponto de ser reconhecido pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) como um igual para constituir uma coligação.
Coligação essa que vai exigir de ambos muita firmeza, postura e sincera vontade de mudar e construir um momento de inflexão histórico no país, de estabelecer as bases de uma cultura política realmente democrática e à altura do que a sociedade está, por inúmeros meios, exigindo.
O passo inicial deste momento foi dado no calor da hora e causou entre nós desconfortos, inconformismos e críticas que precisamos acolher e debater. Mas é preciso entender, de início, as circunstâncias que nos levaram a tomar decisões em curtíssimo espaço de tempo, ouvindo quem era possível ouvir e não submetendo-as a um amplo e demorado processo interno.
É preciso entender, também, a armadilha política a que o julgamento do TSE nos levou. O que fazer? Teríamos a escolha de permanecermos isolados e enfrentar, sem meios para isso (já que não teríamos a infraestrutura de partido) a dura tarefa de disputar espaço em 2014 com as grandes máquinas partidárias, para atingir a sociedade e sensibilizá-la para os temas de uma profunda mudança política no país.
Dadas as circunstâncias, teríamos também a escolha de nos filiarmos a um partido com o objetivo de viabilizar a candidatura presidencial de Marina Silva. Mas é preciso reiterar que nosso o objetivo central nunca foi uma candidatura em si, embora ela pudesse catalisar apoios em torno de nossos valores e temas.
E a terceira possibilidade, que seria tensionar fortemente o sistema político por meio de uma aliança com força suficiente para disputar o future. E, assim, contribuir de maneira decisiva para desfazer o nó cego da política brasileira, configurado pela polarização entre PT e PSDB e todos os malefícios que ela traz, em termos de manipulação e degradação do ambiente político por meio de alianças fisiológicas, à custa do desmonte do Estado.
Fizemos uma escolha e agora é o tempo de bancá-la. Dentro da coligação, nosso papel é o de não transigir com os valores centrais do ideário e do programa da Rede para o país, e o de criarmos condições de fazê-los avançar, em conjunto com o PSB. Marina e outros membros da Rede não se filiaram como militantes do PSB, mas aceitaram esta filiação democrática e transitória como um abrigo contra a injustiça cometida no TSE.
Vamos debater intensivamente o que significará mantermos a integridade desse papel. Vamos, juntos, assumir os riscos e construir os bons resultados. Temos que continuar as tarefas de nossa organização e das bases de nosso consenso interno. Vamos continuar responsavelmente no caminho que prometemos ao país trilhar. Ele está inteiro à nossa frente. Só começamos e é preciso admitir que começamos dando uma demonstração de força ao reposicionar a discussão política no Brasil e tirá-la da inércia dos jogos de poder eleitoreiros de cartas marcadas.

Assista ao vídeo com a mensagem de Marina Silva aos homens e mulheres, de luta e de paz, da Rede Sustentabilidade.
Coligação Democrática
Rede Sustentabilidade e Partido Socialista Brasileiro
Os partidos Rede Sustentabilidade e Partido Socialista Brasileiro decidiram neste sábado, 5 de outubro, formar uma coligação política e eleitoral em torno de um programa para a disputa das eleições de 2014.
Os partidos reafirmam a legitimidade da integridade e da identidade partidária do outro.
Nas circunstâncias criadas por recente decisão da Justiça Eleitoral, o caminho para construir essa coalizão é a filiação democrática e transitória de lideranças e de militância da Rede ao PSB. A filiação democrática e transitória é uma tradição brasileira nas situações em que correntes políticas são impedidas de se organizar formalmente e de participar com sua própria legenda dos processos políticos e eleitorais.
O objetivo central da aliança entre o PSB e a Rede é aprofundar a democracia e construir as bases para um ciclo duradouro de desenvolvimento sustentável, os dois pilares da verdadeira soberania nacional.
A luta da sociedade brasileira tem alcançado importantes conquistas nas últimas décadas: a redemocratização, a estabilidade econômica, a redução das desigualdades sociais. A única forma de manter e aprofundar essas conquistas é avançar. Por isso estamos unindo forças para apresentar uma alternativa ao Brasil.
A convergência programática entre a Rede e o PSB, que será desdobrada num calendário apropriado para a produção de um programa a ser levado à população, é uma contribuição para superar velhos hábitos e vícios da política brasileira. Chegou a hora de combater claramente o atraso na política e colocá-la a serviço da sociedade. Chegou a hora de o Estado ser finalmente comandado pelo povo brasileiro.
O ato politico de hoje é o início de um processo. A aliança entre PSB e Rede será construída de baixo para cima nas escolas, locais de trabalho, municípios, estados, no diálogo permanente e democrático com as organizações da sociedade.
Esse é o nosso compromisso.
Brasília, 5 de outubro de 2013
Rede Sustentabilidade
Partido Socialista Brasileiro

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Joelmir Beting e Francílio Dourado Pais Semeadores de Boa Herança











A idéia da morte sempre nos inquieta, mesmo que estejamos conscientes, que ela faz parte da nossa jornada em vida .
Em nós, refugia-se o imenso desejo de protelarmos  a partida daqueles que amamos e também a nossa.Não importa o nosso nível cultural, social,a nossa religião ou a crença, a dificuldade é a mesma, no enfrentamento da perda de pais e filhos. A morte, sempre  dá uma rasteira e nos surpreende,nos abalando  inteiramente na emoção.
Como dizia Antonio Gramsci, na hora da perda, a intensidade do sofrimento e dor será bem maior, se a escolha tiver sido o descaso.

Lendo  a linda carta do jornalista Mauro Beting, para o pai brilhante e o melhor comentarista político e econômico do Brasil, o jornalista Joelmir Beting,emocionei-me pela carga de carinho e gratidão ao pai e lembrei-me do "Babbo Dourado",meu amado pai e das minhas palavras direcionadas a ele, logo após a vitória da presidenta Dilma Rousseff.
Lágrimas rolaram...mas a única certeza que tenho...teremos e que irá nos reconfortar, será a de que amamos e que cuidamos com carinho desse AMOR .

Nossos pais, percorreram caminhos diferentes, mas cada um a seu modo,foram grandiosos no jornalismo político,como escritor e ao desempenharem o papel de pai.  Se o destino os levaram de nós,em consequência de uma AVC,depois de mais de 70 anos de enveredarem pela estrada sinuosa da história do país, não os levaram de nós e conosco permanecerão, através das boas lembranças.


Posto agora no QRV, o texto de Mauro Beting e em seguida, o que fiz para meu pai Francílio Dourado.
Compartilho, desejando que  muitos outros filhos colham e acolham, as nossas palavras.Quem sabe assim, estaremos semeando o amor, a gratidão e o respeito, nos muitos filhos que nos rastreiam, nutrindo e multiplicando esse bem querer, pelos os que conduziram nossos passos, com tanto desempenho e amor por nós e pelos filhos da Pátria!
Joelmir Beting,  Jornalista, comentarista de economia e política do Grupo Bandeirantes

Babbo, 21/12/1936 – ET/ER/NO

por Mauro Beting em 27.nov.2012 às 11:51h


Nunca falei com meu pai a respeito depois que o Palmeiras foi rebaixado. Sei que ele soube. Ou imaginou. Só sei que no primeiro domingo depois da queda para a Segunda pela segunda vez, seu Joelmir teve um derrame antes de ver a primeira partida depois do rebaixamento. Ele passou pela tomografia logo pela manhã. Em minutos o médico (corintianíssimo) disse que outro gigante não conseguiria se reerguer mais.
No dia do retorno à segundona dos infernos meu pai começou a ir para o céu. As chances de recuperação de uma doença autoimune já não eram boas. Ficaram quase impossíveis com o que sangrou o cérebro privilegiado. Irrigado e arejado como poucos dos muitos que o conhecem e o reconhecem. Amado e querido pelos não poucos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Meu pai.
O melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai.
Preciso dizer algo mais para o melhor Babbo do mundo que virou o melhor Nonno do Universo?
Preciso. Mas não sei. Normalmente ele sabia tudo. Quando não sabia, inventava com a mesma categoria com que falava sobre o que sabia. Todo pai é assim para o filho. Mas um filho de jornalista que também é jornalista fica ainda mais órfão. Nunca vi meu pai como um super-herói. Apenas como um humano super. Só que jamais imaginei que ele pudesse ficar doente e fraco de carne. Nunca admiti que nós pudéssemos perder quem só nos fez ganhar.
Por isso sempre acreditei no meu pai e no time dele. O nosso.
Ele me ensinou tantas coisas que eu não sei. Uma que ficou é que nem todas as palavras precisam ser ditas. Devem ser apenas pensadas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala nem precisa dizer.
Mas hoje eu preciso agradecer pelos meus 46 anos. Pelos 49 de amor da minha mãe. Pelos 75 dele.
Mais que tudo, pelo carinho das pessoas que o conhecem – logo gostam dele. Especialmente pelas pessoas que não o conhecem – e algumas choraram como se fosse um velho amigo.
Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa. Com ele aprendi que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas.
Desculpem, mas não vou chorar. Choro por tudo. Por isso choro sempre pela família, Palmeiras, amores, dores, cores, canções.
Mas não vou chorar por algo mais que tudo que existe no meu mundo que são meus pais. Meus pais (que também deveriam se chamar minhas mães) sempre foram presentes. Um regalo divino. Meu pai nunca me faltou mesmo ausente de tanto que trabalhou. Ele nunca me falta por que teve a mulher maravilhosa que é dona Lucila. Segundo seu Joelmir, a segunda maior coisa da vida dele. Que a primeira sempre foi o amor que ele sentiu por ela desde 1960. Quando se conheceram na rádio 9 de julho. Onde fizeram família. Meu irmão e eu. Filhos do rádio.
Filhos de um jornalista econômico pioneiro e respeitado, de um âncora de TV reconhecido e inovador, de um mestre de comunicação brilhante e trabalhador.
Meu pai.
Eu sempre soube que jamais seria no ofício algo nem perto do que ele foi. Por que raros foram tão bons na área dele. Raríssimos foram tão bons pais como ele. Rarésimos foram tão bons maridos. Rarissíssimos foram tão boas pessoas. E não existe outra palavra inventada para falar quão raro e caro palmeirense ele foi.
(Mas sempre é bom lembrar que palmeirenses não se comparam. Não são mais. Não são menos. São Palmeiras. Basta).
Como ele um dia disse no anúncio da nova arena, em 2007, como esteve escrito no vestiário do Palmeiras no Palestra, de 2008 até a reforma: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!”.
A ausência dele não tem nome. Mas a presença dele ilumina de um modo que eu jamais vou saber descrever. Como jamais saberei escrever o que ele é. Como todo pai de toda pessoa. Mais ainda quando é um pai que sabia em 40 segundos descrever o que era o Brasil. E quase sempre conseguia. Não vou ficar mais 40 frases tentando descrever o que pude sentir por 46 anos.
Explicar quem é Joelmir Beting é desnecessário. Explicar o que é meu pai não estar mais neste mundo é impossível.
Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna, obrigado por amar o Nonno.
Os filhos desse amor jamais serão órfãos.
Como oficialmente eu soube agora, 1h15 desta quinta-feira, 29 de novembro. 32 anos e uma semana depois da morte de meu Nonno, pai da minha guerreira Lucila.
Joelmir José Beting foi encontrar o Pai da Bola Waldemar Fiume nesta quinta-feira, 0h55.

Francílio Dourado, durante o lançamento do livro "História do Brasil República e Ceará Estado" na Câmara Municipal de Fortaleza

Dourado, cor que reveste a ausência


por Lila Dourado em 01.nov.2010 às 12:16h

Só os pais, nos acolhem com amor incondicional,ao longo da nossas vidas,aguentam  nossas chatices, inquietações,  alegrias,tristezas, enfrentam conosco nossos medos, cuidam dos nossos ferimentos, para que estes não deixem cicatrizes, nem no físico, nem na alma .
Pai e Mãe, o que seria de nós, sem eles ? na verdade,nem existiríamos.

Acordei com saudades, do velho Dourado. Lembrei-me, de quando Lula foi eleito presidente e enquanto comemoravamos e cantavamos "Lula lá uma estrela brilha..."abraçando  meus irmãos Dourado e Marcílio, comemoravamos e choravamos, lembrando do nosso pai, que não estava ali pra testemunhar a vitória de um grande líder sindical.


A vitória da Dilma, foi uma grande conquista para a Mulher.Mas foi diferente, num outro contexto,com alianças que  deixaria meu pai indignado.Conhecia-o bem,seu jeito inquieto e verdadeiro de ser.Sempre que vejo o Plínio Arruda Sampaio do PSOL na TV, lembro-me do inquieto político do PDT Francílio Dourado,seu jeito anárquico ,brincalhão e opositor por convicção.

Após a vitória da Dilma, lembrei-me muito dele.A figura política do velho Dourado, reflete a somatória da postura do Plínio com a Marina.Lembro-me, que o mesmo afastou-se do PDT, partido do qual foi um dos fundadores no Ceará, quando Lúcio Alcântara filiou-se, dizendo" não posso continuar num partido, que aceita filiações de quem colaborou com o governos arenistas e ocupou cargos públicos durante a ditadura".

Lembro-me ainda,da forma alegre como presenteava os filhos,  ao chegar de suas viagens como jornalista político. Guardo com carinho, a primeira boneca, a vitrola, as agendas(que me serviam como diários), os livros e a máquina de escrever.Guardo ainda ,o seu primeiro panfleto de candidato a vereador,ao lado de outra mulher também inquieta, na luta por justiça social, a Rosa Fonseca.

Abrindo minha caixa de fotografias, como me  orgulho, vê-lo em passeatas, contra a ditadura militar, noutras ao lado de Brizola, Moema Santiago,Tereza Zerbini e seus fiéis amigos da política,Heitor Férrer e Araújo de Castro( que nos deixou a pouco tempo,pra continuar ao lado do amigo,lutando por um mundo melhor, lá de cima).
Sinto falta dos seus discursos inflamados, diante das alianças políticas que se orquestravam em prol das eleições e da alternância do poder.

Lembro-me bem, do jeito emocionado e cheio de orgulho, ao falar dos filhos. Brigar...ele brigou com todos, da mesma forma  e com a mesma intensidade que estendeu a mão e abriu os braços quando necessário.Atitude comum,não somente em relação aos filhos, mas extensiva a todos com os quais convivia,com os quais tinha afeto.

Francílio Dourado, rompia os padrões convencionais, tanto na convivência social como política. Seu jeito expontâneo e verdadeiro de ser, incomodava alguns, mas agradava a grande maioria dos que o conheciam.Foi um guerreiro na luta contra a ditadura e  contra o coronelismo no Ceará.


Quando criança, via meu pai como uma espécie de herói,cresci vendo suas inquietações e sabendo que quando ele ausentava-se de casa, era por estar percorrendo todo o estado do Ceará, fundando núcleos políticos, como fez com o MDB (partido que durante o regime militar,congregava as forças oposicionistas contra a Arena,partido da situação).


Francílio Dourado...quanto orgulho eu tinha e tenho ao chamá-lo de pai. Era de fato, um bom cidadão, um bom jornalista,um homem que advogava sempre em favor dos outros e que percorria os mais diversos caminhos à favor da educação.Nossa casa, serviu de abrigo para parentes,amigos... tinha sempre visitas, pessoas de baixa renda, que vinham em busca de ajuda para colocar seus filhos nas escolas e em cursinhos pré-vestibulares.Acredito, que minha grande paixão pela Chapada do Araripe,não deve-se somente a questão da beleza geográfica, arqueológica e a cultura do povo.Mas, principalmente pelo que meu pai plantou por lá, dos rastros que ele deixou.

Quando escuto  pessoas, que o conheceram falando dele de forma elogiosa, fico emocionada. Como ocorreu, quando o jornalista e ex-secretário de cultura, Auto Filho, me falou:
 " Seu pai ajudou muita gente, da forma mais expontânea e verdadeira.Muitos dos quais,ele nem percebia o quanto estava ajudando, por achar sua ação um ato natural .Sou muito grato ao Dourado, pela forma despretenciosa e consciente, com a qual ele me ajudou durante a ditadura".

Adísia Sá,outra profissional amiga e companheira do jornalismo,que aprendi a admirar através do meu pai, me deixou com a voz embargada, após um debate na Universidade ao afirmar:
" Minha filha, seu pai possuia características que são essenciais no jornalismo, a inquietude, o compromisso e a coragem , ele não só buscava a notícia, ele participava, se envolvia  sem se render.Por isso,não chegou ao poder,pois não mudava seu ponto de vista,não se vendia por nada,não se rendia nem mesmo ao partido  ao qual era filiado " .

Papai ,conquistou muitos amigos e não deixou inimigos.Cercou-se de pessoas que ainda hoje, nos abraça com a emoção e o carinho de quem abraça os filhos de um "Zoadento Guerreiro".
Também não deixou herança material,mas deixou para nós a certeza, de que o amor verdadeiro é incondicional e que é este amor, que deve alimentar as relações entre pais e filhos.

Saudades...saudades deste guerreiro que se foi e nos deixou com muitas histórias pra contar !