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domingo, 17 de abril de 2016

PLENÁRIA da VERGONHA - Votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff


PLENÁRIA da VERGONHA 
Hoje, 18 de abril, segunda-feira, acordei triste, com febre e forte dores de cabeça. Não somente por causa da virose, mas principalmente por saber que ontem,17 de abril, foi um dia histórico para todos nós brasileiros e que este dia, não foi um demonstrativo de avanço. Domingo, presenciamos um espetáculo circense, com roteiro e direção escrito e montado pelo presidente da câmara EDUARDO CUNHA, político sem escrúpulos, réu no Lava-Jato, denunciado ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria-Geral da República, por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de receber R$ 5 milhões em propinas.
As manifestações pró e contra impeachment ocuparam não somente a Esplanada dos Ministérios, mas as praças e ruas do nosso país, nos inquietando e provocando em nós...horas revolta...horas emoção. Desde muito jovem, participei intensamente das grandes manifestações políticas em meu país, e se nunca me filiei a nenhum partido político, foi exatamente por discordar das alianças "necessárias", por discordar das afirmativas "ele roubou, mas faz muito por São Paulo", ao referir-se a Maluf " ou " ele sucateou o Maranhão, mas é muito preparado" com relação a Sarney. Nunca engoli essas afirmações.
Lutamos pelas diretas e em pouco tempo, lutamos pelo impeachment de Collor, ao ficar comprovado seu envolvimento com corrupção. Quisera eu estar hoje comemorando a vitória da moralidade política no Brasil, como comemoramos a vitória das eleições diretas e qdo elegemos o nosso primeiro presidente pelo voto direto. Mas, o que se comemora nesse momento é o retrocesso da nossa História.
Confesso, que assim como chorei de emoção ao eleger Lula presidente, senti-me profundamente traída e incomodada ao vê-lo firmando alianças em nome do "mal necessário", com Collor, Sarney, Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e tantos outros, que a esquerda tando combateu no passado. Quando vi as alianças, já previa que o pior estava pra vir, os ideiais da Dilma não iriam se amoldar aos de Eduardo Cunha e dessa cambada de políticos de direita. Pior ainda, que presenciar essas alianças, foi imaginar os acordos que estariam sendo feitos para a continuidade do poder. E o PT, aquele partido de tantos líderes que lutaram pela Reforma Agrária, melhoria da Saúde, Educação, pela questão da Mulher e tantas outras bandeiras, começava a desnuvelar-se e a fazer bordados e costuras, que não agradavam os meus olhos. Muitos políticos, que me fizeram crer que na política é possível trabalhar com ética e sem corrupção, foram se afastando e rompendo com o PT. Como é caso da Heloisa Helena, Chico Alencar, Marina Silva, João Alfredo, Renato Roseno, Cristóvão Buarque e tantos outros. Mas, quando o ideal de igualdade, liberdade, emancipação do povo e garantia dos direitos democráticos são ameaçados, juntam-se todos "quando a alma não é pequena". Foi o que presenciamos nesse momento político, onde o PSOL, PCdoB, PT e muitos deputados do PDT, deixaram de lado as divergências políticas, para salvar um projeto maior em nome da nação.
De cama, acompanhei pela TV um verdadeiro espetáculo circense durante a votação do impeachment . Vi pela segunda vez, a votação do impeachment. Se antes, fui as ruas de cara pintada, camiseta estampando "Fora Collor", me dói o corpo, a cabeça e principalmente o coração ao testemunhar, que nesse momento em nosso país, configura-se um retrocesso político e histórico sem prescedente. No qual, os "aliados" da presidenta Dilma, Michel Temer, vice-presidente da república e Eduardo Cunha, presidente da cãmara, contrariados nos seus ambiciosos interesses, maniqueisticamente organizam mecanismos pra destituir do poder, a presidenta eleita democraticamente pelo povo.
Se em 1989, ocorreu a queda do Muro de Berlim, unindo não só a Alemanha Oriental e Ocidental, mas representando o fim da Guerra Fria e reintegração dos povos, me entristece observar através da TV, um Muro de um quilômetro de extensão na Esplanada dos Ministério, como método para separar os manifestantes em dois grupos. A idéia segregacionista só poderia ser de um fascista evangélico, que pretende dividir o Brasil entre os "bons" e os " maus", logicamente para ele liderar os "bons". Por isso, o muro foi batizado pelo povo, como muro da vergonha e ganhou as páginas dos jornais estrangeiros
DE QUEM FOI A IDÉIA ?!
De Eduardo Cunha ex-aliado político de Dilma Rousseff, político que juntamente com Michel Temer ,vice-presidente da República, ajudaram a presidente Dilma a reeleger-se. Mas, como já era de se esperar, de quem faz política por oportunismo e não por ideologia, a "dupla dinâmica" de articuladores do processo Pro Impeachment, trairam a presidenta e o pacto à favor da nação.
QUE PAÌS É ESSE?!
Onde um homem como Jair Bolsonaro, machista, racista, homofóbico e defensor da ditadura em toda América Latina é eleito deputado? Pior ainda, ver que deputados eleitos pelo povo e que deveriam defender os direitos humanos, aplaudiram ontem o Bolsonaro, qdo ele ao votar à favor do Impeachment., dedicou seu voto ao Carlos Alberto Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período do regime militar no Brasil. A Arquidiocese de São Paulo, por meio do projeto "Brasil Nunca Mais", denunciou mais de 500 casos de tortura cometidos dentro das dependências do Doi-Codi no período em que Ustra era o comandante, de 1970 a 1974.
Bolsonaro ainda na sessão, puxou o braço do deputado Jean Wyllys após o seu corajoso pronunciamento, dizendo:“veado”, “queima-rosca”, “boiola” e outras ofensas homofóbicas, provocando no calor da emoção, a reação imediata do deputado Wyllys, ao cuspir na cara de Bolsonaro. Nunca vi tanto horror num local, onde deveríamos presenciar bons exemplos.
Brasil presenciou ontem, um dos mais importantes fatos da História e ao mesmo tempo um Festival de Patifaria. A votação do impeachment presidida por um político, comprovadamente corrupto, seguido por bando de deputados, que na sua maioria jamais passariam na prova do ENEM. Muitos não entendiam a importância do voto de cada um, muito menos do que representaria naquele momento o voto de cada um. Era visível que ao votarem os deputados, não se posicionavam como responsáveis pelo destino da nação, ao justificarem o voto ao microfone, pareciam jogadores num cassino ou casa de Bingo. Votaram em nome dos filhos, da mãe, do pai e até chegaram a chamar o filho pra votar no seu lugar, não sendo aceito é claro.
Fui dormi com muita tristeza, vendo que avançamos no tempo e retrocedemos na nossa história política. Ao acordar, desejei ver manifestos nas redes sociais pedindo a saida do Eduardo Cunha. Afinal, os que torciam pelo Impeachment justificavam que queriam o fim da corrupção.
Mas, quanta decepção...o que vejo é muitos postando piadinhas favoráveis a Cunha, achando-o corajoso e afirmando que o mesmo é um "Mal Necessário" e até chamando-o de "meu Malvado Favorito".
BASTA!!! Chega de letargia, temos que nos unir e repudiar pessoas inescrupulosas, como Eduardo Cunha, Bolsonaro e seus aliados, sem TEMER.
Não podemos permitir que transformem nosso pais num picadeiro, como fizeram ontem.
Sigamos todos de mãos dadas contra essa corrupçao que instalou-se de forma vergonhosa na nossa política, em quase todos os partidos políticos. Que a gente siga sonhando, que é possível sim, fazer política sem alianças escusas e sem corrupção.
Que as investigações prossigam em todos os partidos e estados do Brasil. Que todos os envolvidos com corrupção, sejam exemplarmente punidos, a começar pelo afastamento de Eduardo Cunha no Senado. LUTEMOS!!!!
CONTINUEMOS na LUTA por um PAÍS JUSTO e DEMOCRÁTICO!


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domingo, 10 de agosto de 2014

Dia dos Pais é Dia de Rememorar Boas Histórias


Francílio Dourado, durante o lançamento do livro "História do Brasil República e Ceará Estado" na Câmara Municipal de Fortaleza

Dourado, cor que reveste a ausência

por Lila Dourado em 01.nov.2010 às 12:16h

Só os pais, nos acolhem com amor incondicional,ao longo da nossas vidas,aguentam  nossas chatices, inquietações,  alegrias,tristezas, enfrentam conosco nossos medos, cuidam dos nossos ferimentos, para que estes não deixem cicatrizes, nem no físico, nem na alma .
Pai e Mãe, o que seria de nós, sem eles ? na verdade,nem existiríamos.

Acordei com saudades, do velho Dourado. Como dizia Gramsci," na hora da perda, a intensidade do sofrimento e dor será bem maior, se a escolha tiver sido o descaso". Minha relação com papai, sempre foi intensa no amor, respeito e carinho.  Por isso,  relembrar os bons momentos vividos me faz tão bem. Lembrei-me  de quando Lula foi eleito presidente e enquanto comemoravamos e cantavamos "Lula lá uma estrela brilha..."abraçando  meus irmãos Dourado e Marcílio, comemoravamos e choravamos, lembrando do nosso pai, que não estava ali pra testemunhar a vitória de um grande líder sindical.

A vitória da Dilma, foi uma grande conquista para a Mulher.Mas foi diferente, num outro contexto,com alianças que  deixaria meu pai indignado.Conhecia-o bem,seu jeito inquieto e verdadeiro de ser.Sempre que via o Plínio Arruda Sampaio do PSOL na TV. Lembrava-me de Francílio Dourado, como o inquieto político do PDT , que com seu jeito anárquico e brincalhão, tornou-se um opositor por convicção.

Após a vitória da Dilma, lembrei-me muito dele.A figura política do velho Dourado, reflete a somatória da postura do Plínio com a Marina.Lembro-me, que o mesmo afastou-se do PDT, partido do qual foi um dos fundadores no Ceará, quando Lúcio Alcântara filiou-se, dizendo" não posso continuar num partido, que aceita filiações de quem colaborou com o governos arenistas e ocupou cargos públicos durante a ditadura".

Lembro-me ainda,da forma alegre como presenteava os filhos,  ao chegar de suas viagens como jornalista político. Guardo com carinho, a primeira boneca, a vitrola, as agendas(que me serviam como diários), os livros e a máquina de escrever.Guardo ainda ,o seu primeiro panfleto de candidato a vereador,ao lado de outra mulher também inquieta, na luta por justiça social, a Rosa Fonseca.

Abrindo minha caixa de fotografias, como me  orgulho, vê-lo em passeatas, contra a ditadura militar, noutras ao lado de Brizola, Moema Santiago,Tereza Zerbini e seus fiéis amigos da política,Heitor Férrer e Araújo de Castro( que nos deixou a pouco tempo,pra continuar ao lado do amigo,lutando por um mundo melhor, lá de cima).
Sinto falta dos seus discursos inflamados, diante das alianças políticas que se orquestravam em prol das eleições e da alternância do poder.

Lembro-me bem, do jeito emocionado e cheio de orgulho, ao falar dos filhos. Brigar...ele brigou com todos, da mesma forma  e com a mesma intensidade que estendeu a mão e abriu os braços quando necessário.Atitude comum,não somente em relação aos filhos, mas extensiva a todos com os quais convivia,com os quais tinha afeto.

Francílio Dourado, rompia os padrões convencionais, tanto na convivência social como política. Seu jeito expontâneo e verdadeiro de ser, incomodava alguns, mas agradava a grande maioria dos que o conheciam.Foi um guerreiro na luta contra a ditadura e  contra o coronelismo no Ceará.

Quando criança, via meu pai como uma espécie de herói,cresci vendo suas inquietações e sabendo que quando ele ausentava-se de casa, era por estar percorrendo todo o estado do Ceará, fundando núcleos políticos, como fez com o MDB (partido que durante o regime militar,congregava as forças oposicionistas contra a Arena,partido da situação).

Francílio Dourado...quanto orgulho eu tinha e tenho ao chamá-lo de pai. Era de fato, um bom cidadão, um bom jornalista,um homem que advogava sempre em favor dos outros e que percorria os mais diversos caminhos à favor da educação.Nossa casa, serviu de abrigo para parentes,amigos... tinha sempre visitas, pessoas de baixa renda, que vinham em busca de ajuda para colocar seus filhos nas escolas e em cursinhos pré-vestibulares.Acredito, que minha grande paixão pela Chapada do Araripe,não deve-se somente a questão da beleza geográfica, arqueológica e a cultura do povo.Mas, principalmente pelo que meu pai plantou por lá, dos rastros que ele deixou.

Quando escuto  pessoas, que o conheceram falando dele de forma elogiosa, fico emocionada. Como ocorreu, quando o jornalista e ex-secretário de cultura, Auto Filho, me falou:
 " Seu pai ajudou muita gente, da forma mais expontânea e verdadeira.Muitos dos quais,ele nem percebia o quanto estava ajudando, por achar sua ação um ato natural .Sou muito grato ao Dourado, pela forma despretenciosa e consciente, com a qual ele me ajudou durante a ditadura".
Adísia Sá,outra profissional amiga e companheira do jornalismo,que aprendi a admirar através do meu pai, me deixou com a voz embargada, após um debate na Universidade ao afirmar:
" Minha filha, seu pai possuia características que são essenciais no jornalismo, a inquietude, o compromisso e a coragem , ele não só buscava a notícia, ele participava, se envolvia  sem se render.Por isso,não chegou ao poder,pois não mudava seu ponto de vista,não se vendia por nada,não se rendia nem mesmo ao partido  ao qual era filiado " .

Papai ,conquistou muitos amigos e não deixou inimigos.Cercou-se de pessoas que ainda hoje, nos abraça com a emoção e o carinho de quem abraça os filhos de um "Zoadento Guerreiro".
Também não deixou herança material,mas deixou para nós a certeza, de que o amor verdadeiro é incondicional e que é este amor, que deve alimentar as relações entre pais e filhos.
Saudades...saudades deste guerreiro que se foi e nos deixou com muitas histórias pra contar 


Francílio Dourado e Perpétua Dourado


Pai...
Teu olhar buscava o da minha mãe
Quando ela já carregava consigo,  um fruto prestes a germinar
Esse momento  registrado em foto, não tornou-se capa de revista.
Muito menos, comercial do Dia das Mães!
É apenas um registro, de que com simples click, um casal comum pode contar muitas histórias.  Revelando que mesmo com agruras cotidianas,pode ser possível construir castelos de sonhos reais e deixar bons rastros.
Aqui... o ventre da tua amada Perpétua, tem cor Lila...s !



 "As tuas mãos tem grossas veias como cordas azuis

sobre um fundo de manchas já cor de terra

— como são belas as tuas mãos —

pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram

na nobre cólera dos justos...

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,

essa beleza que se chama simplesmente vida.

E, ao entardecer, quando elas repousam

nos braços da tua cadeira predileta,

uma luz parece vir de dentro delas...
Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.
E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas...
essa chama de vida — que transcende a própria vida...
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma..."
(Mario Quintana)

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Joelmir Beting e Francílio Dourado Pais Semeadores de Boa Herança











A idéia da morte sempre nos inquieta, mesmo que estejamos conscientes, que ela faz parte da nossa jornada em vida .
Em nós, refugia-se o imenso desejo de protelarmos  a partida daqueles que amamos e também a nossa.Não importa o nosso nível cultural, social,a nossa religião ou a crença, a dificuldade é a mesma, no enfrentamento da perda de pais e filhos. A morte, sempre  dá uma rasteira e nos surpreende,nos abalando  inteiramente na emoção.
Como dizia Antonio Gramsci, na hora da perda, a intensidade do sofrimento e dor será bem maior, se a escolha tiver sido o descaso.

Lendo  a linda carta do jornalista Mauro Beting, para o pai brilhante e o melhor comentarista político e econômico do Brasil, o jornalista Joelmir Beting,emocionei-me pela carga de carinho e gratidão ao pai e lembrei-me do "Babbo Dourado",meu amado pai e das minhas palavras direcionadas a ele, logo após a vitória da presidenta Dilma Rousseff.
Lágrimas rolaram...mas a única certeza que tenho...teremos e que irá nos reconfortar, será a de que amamos e que cuidamos com carinho desse AMOR .

Nossos pais, percorreram caminhos diferentes, mas cada um a seu modo,foram grandiosos no jornalismo político,como escritor e ao desempenharem o papel de pai.  Se o destino os levaram de nós,em consequência de uma AVC,depois de mais de 70 anos de enveredarem pela estrada sinuosa da história do país, não os levaram de nós e conosco permanecerão, através das boas lembranças.


Posto agora no QRV, o texto de Mauro Beting e em seguida, o que fiz para meu pai Francílio Dourado.
Compartilho, desejando que  muitos outros filhos colham e acolham, as nossas palavras.Quem sabe assim, estaremos semeando o amor, a gratidão e o respeito, nos muitos filhos que nos rastreiam, nutrindo e multiplicando esse bem querer, pelos os que conduziram nossos passos, com tanto desempenho e amor por nós e pelos filhos da Pátria!
Joelmir Beting,  Jornalista, comentarista de economia e política do Grupo Bandeirantes

Babbo, 21/12/1936 – ET/ER/NO

por Mauro Beting em 27.nov.2012 às 11:51h


Nunca falei com meu pai a respeito depois que o Palmeiras foi rebaixado. Sei que ele soube. Ou imaginou. Só sei que no primeiro domingo depois da queda para a Segunda pela segunda vez, seu Joelmir teve um derrame antes de ver a primeira partida depois do rebaixamento. Ele passou pela tomografia logo pela manhã. Em minutos o médico (corintianíssimo) disse que outro gigante não conseguiria se reerguer mais.
No dia do retorno à segundona dos infernos meu pai começou a ir para o céu. As chances de recuperação de uma doença autoimune já não eram boas. Ficaram quase impossíveis com o que sangrou o cérebro privilegiado. Irrigado e arejado como poucos dos muitos que o conhecem e o reconhecem. Amado e querido pelos não poucos que tiveram o privilégio de conhecê-lo.
Meu pai.
O melhor pai que um jornalista pode ser. O melhor jornalista que um filho pode ter como pai.
Preciso dizer algo mais para o melhor Babbo do mundo que virou o melhor Nonno do Universo?
Preciso. Mas não sei. Normalmente ele sabia tudo. Quando não sabia, inventava com a mesma categoria com que falava sobre o que sabia. Todo pai é assim para o filho. Mas um filho de jornalista que também é jornalista fica ainda mais órfão. Nunca vi meu pai como um super-herói. Apenas como um humano super. Só que jamais imaginei que ele pudesse ficar doente e fraco de carne. Nunca admiti que nós pudéssemos perder quem só nos fez ganhar.
Por isso sempre acreditei no meu pai e no time dele. O nosso.
Ele me ensinou tantas coisas que eu não sei. Uma que ficou é que nem todas as palavras precisam ser ditas. Devem ser apenas pensadas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala nem precisa dizer.
Mas hoje eu preciso agradecer pelos meus 46 anos. Pelos 49 de amor da minha mãe. Pelos 75 dele.
Mais que tudo, pelo carinho das pessoas que o conhecem – logo gostam dele. Especialmente pelas pessoas que não o conhecem – e algumas choraram como se fosse um velho amigo.
Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa. Com ele aprendi que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas.
Desculpem, mas não vou chorar. Choro por tudo. Por isso choro sempre pela família, Palmeiras, amores, dores, cores, canções.
Mas não vou chorar por algo mais que tudo que existe no meu mundo que são meus pais. Meus pais (que também deveriam se chamar minhas mães) sempre foram presentes. Um regalo divino. Meu pai nunca me faltou mesmo ausente de tanto que trabalhou. Ele nunca me falta por que teve a mulher maravilhosa que é dona Lucila. Segundo seu Joelmir, a segunda maior coisa da vida dele. Que a primeira sempre foi o amor que ele sentiu por ela desde 1960. Quando se conheceram na rádio 9 de julho. Onde fizeram família. Meu irmão e eu. Filhos do rádio.
Filhos de um jornalista econômico pioneiro e respeitado, de um âncora de TV reconhecido e inovador, de um mestre de comunicação brilhante e trabalhador.
Meu pai.
Eu sempre soube que jamais seria no ofício algo nem perto do que ele foi. Por que raros foram tão bons na área dele. Raríssimos foram tão bons pais como ele. Rarésimos foram tão bons maridos. Rarissíssimos foram tão boas pessoas. E não existe outra palavra inventada para falar quão raro e caro palmeirense ele foi.
(Mas sempre é bom lembrar que palmeirenses não se comparam. Não são mais. Não são menos. São Palmeiras. Basta).
Como ele um dia disse no anúncio da nova arena, em 2007, como esteve escrito no vestiário do Palmeiras no Palestra, de 2008 até a reforma: “Explicar a emoção de ser palmeirense, a um palmeirense, é totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… É simplesmente impossível!”.
A ausência dele não tem nome. Mas a presença dele ilumina de um modo que eu jamais vou saber descrever. Como jamais saberei escrever o que ele é. Como todo pai de toda pessoa. Mais ainda quando é um pai que sabia em 40 segundos descrever o que era o Brasil. E quase sempre conseguia. Não vou ficar mais 40 frases tentando descrever o que pude sentir por 46 anos.
Explicar quem é Joelmir Beting é desnecessário. Explicar o que é meu pai não estar mais neste mundo é impossível.
Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna, obrigado por amar o Nonno.
Os filhos desse amor jamais serão órfãos.
Como oficialmente eu soube agora, 1h15 desta quinta-feira, 29 de novembro. 32 anos e uma semana depois da morte de meu Nonno, pai da minha guerreira Lucila.
Joelmir José Beting foi encontrar o Pai da Bola Waldemar Fiume nesta quinta-feira, 0h55.

Francílio Dourado, durante o lançamento do livro "História do Brasil República e Ceará Estado" na Câmara Municipal de Fortaleza

Dourado, cor que reveste a ausência


por Lila Dourado em 01.nov.2010 às 12:16h

Só os pais, nos acolhem com amor incondicional,ao longo da nossas vidas,aguentam  nossas chatices, inquietações,  alegrias,tristezas, enfrentam conosco nossos medos, cuidam dos nossos ferimentos, para que estes não deixem cicatrizes, nem no físico, nem na alma .
Pai e Mãe, o que seria de nós, sem eles ? na verdade,nem existiríamos.

Acordei com saudades, do velho Dourado. Lembrei-me, de quando Lula foi eleito presidente e enquanto comemoravamos e cantavamos "Lula lá uma estrela brilha..."abraçando  meus irmãos Dourado e Marcílio, comemoravamos e choravamos, lembrando do nosso pai, que não estava ali pra testemunhar a vitória de um grande líder sindical.


A vitória da Dilma, foi uma grande conquista para a Mulher.Mas foi diferente, num outro contexto,com alianças que  deixaria meu pai indignado.Conhecia-o bem,seu jeito inquieto e verdadeiro de ser.Sempre que vejo o Plínio Arruda Sampaio do PSOL na TV, lembro-me do inquieto político do PDT Francílio Dourado,seu jeito anárquico ,brincalhão e opositor por convicção.

Após a vitória da Dilma, lembrei-me muito dele.A figura política do velho Dourado, reflete a somatória da postura do Plínio com a Marina.Lembro-me, que o mesmo afastou-se do PDT, partido do qual foi um dos fundadores no Ceará, quando Lúcio Alcântara filiou-se, dizendo" não posso continuar num partido, que aceita filiações de quem colaborou com o governos arenistas e ocupou cargos públicos durante a ditadura".

Lembro-me ainda,da forma alegre como presenteava os filhos,  ao chegar de suas viagens como jornalista político. Guardo com carinho, a primeira boneca, a vitrola, as agendas(que me serviam como diários), os livros e a máquina de escrever.Guardo ainda ,o seu primeiro panfleto de candidato a vereador,ao lado de outra mulher também inquieta, na luta por justiça social, a Rosa Fonseca.

Abrindo minha caixa de fotografias, como me  orgulho, vê-lo em passeatas, contra a ditadura militar, noutras ao lado de Brizola, Moema Santiago,Tereza Zerbini e seus fiéis amigos da política,Heitor Férrer e Araújo de Castro( que nos deixou a pouco tempo,pra continuar ao lado do amigo,lutando por um mundo melhor, lá de cima).
Sinto falta dos seus discursos inflamados, diante das alianças políticas que se orquestravam em prol das eleições e da alternância do poder.

Lembro-me bem, do jeito emocionado e cheio de orgulho, ao falar dos filhos. Brigar...ele brigou com todos, da mesma forma  e com a mesma intensidade que estendeu a mão e abriu os braços quando necessário.Atitude comum,não somente em relação aos filhos, mas extensiva a todos com os quais convivia,com os quais tinha afeto.

Francílio Dourado, rompia os padrões convencionais, tanto na convivência social como política. Seu jeito expontâneo e verdadeiro de ser, incomodava alguns, mas agradava a grande maioria dos que o conheciam.Foi um guerreiro na luta contra a ditadura e  contra o coronelismo no Ceará.


Quando criança, via meu pai como uma espécie de herói,cresci vendo suas inquietações e sabendo que quando ele ausentava-se de casa, era por estar percorrendo todo o estado do Ceará, fundando núcleos políticos, como fez com o MDB (partido que durante o regime militar,congregava as forças oposicionistas contra a Arena,partido da situação).


Francílio Dourado...quanto orgulho eu tinha e tenho ao chamá-lo de pai. Era de fato, um bom cidadão, um bom jornalista,um homem que advogava sempre em favor dos outros e que percorria os mais diversos caminhos à favor da educação.Nossa casa, serviu de abrigo para parentes,amigos... tinha sempre visitas, pessoas de baixa renda, que vinham em busca de ajuda para colocar seus filhos nas escolas e em cursinhos pré-vestibulares.Acredito, que minha grande paixão pela Chapada do Araripe,não deve-se somente a questão da beleza geográfica, arqueológica e a cultura do povo.Mas, principalmente pelo que meu pai plantou por lá, dos rastros que ele deixou.

Quando escuto  pessoas, que o conheceram falando dele de forma elogiosa, fico emocionada. Como ocorreu, quando o jornalista e ex-secretário de cultura, Auto Filho, me falou:
 " Seu pai ajudou muita gente, da forma mais expontânea e verdadeira.Muitos dos quais,ele nem percebia o quanto estava ajudando, por achar sua ação um ato natural .Sou muito grato ao Dourado, pela forma despretenciosa e consciente, com a qual ele me ajudou durante a ditadura".

Adísia Sá,outra profissional amiga e companheira do jornalismo,que aprendi a admirar através do meu pai, me deixou com a voz embargada, após um debate na Universidade ao afirmar:
" Minha filha, seu pai possuia características que são essenciais no jornalismo, a inquietude, o compromisso e a coragem , ele não só buscava a notícia, ele participava, se envolvia  sem se render.Por isso,não chegou ao poder,pois não mudava seu ponto de vista,não se vendia por nada,não se rendia nem mesmo ao partido  ao qual era filiado " .

Papai ,conquistou muitos amigos e não deixou inimigos.Cercou-se de pessoas que ainda hoje, nos abraça com a emoção e o carinho de quem abraça os filhos de um "Zoadento Guerreiro".
Também não deixou herança material,mas deixou para nós a certeza, de que o amor verdadeiro é incondicional e que é este amor, que deve alimentar as relações entre pais e filhos.

Saudades...saudades deste guerreiro que se foi e nos deixou com muitas histórias pra contar !

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mantas Brizolistas Para os Desabrigados da História e da Política


A História através dos Debates entre os presidenciáveis em 1989. Na cena Lula, Brizola , Covas, Maluf  e os que fugiram.  O direito de resposta de Brizola contra a Globo e ...saudades do Mestre!

Com meu pai, aprendi desde cedo  que a política faz parte da vida de todos nós.Com o mestre Leonel Brizola ,aprendi que a vida de todos nós, depende da ação política que optamos seguir .Orgulho-me de ter lutado,em dois momentos para a Campanha de Brizola para Presidente .Primeiro quando líder estudantil, no segundo momento como produtora do grande Ato Show Brizolar, já carregando minha Clara de 3 anos nos braços. Emocionada ouvi do velho e amado Brizola " Nunca deixe que essa mente privilegiada se oculte detrás da bela mulher, utilize-a a favor da educação e em prol  das que não tiveram as mesmas chances que você".As palavras do mestre, ficaram gravadas na minha memória , assim como nas velhas fitas cassetes do Ato Show que contou com a presença do Cavaleiro da Esperança, Luis Carlos Prestes e de muita gente boa .Brizola me abraçou com firmeza ,beijou minha testa e presenteou minha filha, com um mimo que guardo até hoje, como quem  guarda um pouco  do afeto, do carinho ,da história de um bravo Político  gaúcho e de Homem que sabia ser terno com a mesma intensidade e convicção.Com ele vi e aprendi. Como brizolista...como tal,abracei o grande mestre e guerreiro da política nacional emocionada !
Segui ampliando meus sonhos e  ações,como historiadora e educadora. Seguindo seus conselhos, dirigi o primeiro Albergue de Mulheres e Crianças em Situação de Violência do Nordeste, criei ações multiplicadoras.Minha experiência me fez receber o convite de Helena Greco para colaborar com a coordenadoria de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de Belo Horizonte e com o Conselho Municipal da Mulher,na estruturação de um projeto semelhante. Com meus sonhos brizolistas segui viagem...trabalhei em muitas escolas, universidades, nas periferias do meu país e noutras nações. Pois quem é brizolista ,não encontra fronteiras, quando o sonho é a soma de esforços pela educação e por uma política mais digna e sem corrupção !
Saudades de você... Mestre Brizola !


"Lá, lá, lá, lá, lá, Brizola
 Lá, lá, lá, lá, lá, Brizola"

Direito de Resposta Brizola x Globo

"Cid Moreira, a voz do dono, a voz do Grande Irmão, a voz que surgiu do AI-5, voltou-se contra si mesma. Foi um daqueles momentos que servem como símbolos, como instantâneos da história. Cid Moreira falou, e falou e falou, contra Roberto Marinho. Foram três longos minutos, contra a Globo, no Jornal Nacional. O redator era Leonel Brizola, que ganhou direito de responder ao ataque que havia recebido do mesmo Jornal Nacional, que o chamou de senil. 
  Brizola apoiou Lula em 1989 contra o Collor

Primeiro Debate dos Presidenciáveis, em 17 de Julho de 1989 

As eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da república. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Foi também a primeira eleição na qual uma mulher disputou o posto mais elevado da República -- Lívia Maria do Partido Nacionalista (PN).

Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional.

O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante seu processo de impeachment.

Durante o segundo turno, um pool de emissoras (Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos. Durante a edição do Jornal Nacional do dia seguinte ao segundo debate, foi apresentado um compacto editado de tal forma a fazer o telespectador crer que o candidato do PRN tivesse se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo.

Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula o fez perder a eleição.

Participaram do debate os seguintes candidatos: Aureliano Chaves (PFL), Paulo Maluf (PDS), Lula (PT), Brizola (PDT), Afonso Camargo (PTB), Ronaldo Caiado (PSD), Afif Domingos (PL), Mário Covas (PSDB), Roberto Freire (PCB). Collor (PRN) e Ulysses Guimarães (PMDB) não aceitaram participar.

Além dos âncoras Fernando Mitre, José Augusto Ribeiro e José Paulo de Andrade, outros jornalistas também participaram do debate: José Carlos Bardawil, André Singer, João Sampaio, Luiz Augusto Falcão, Mara Ziravello, Marcelo Bauer, Marco Damiani, Edison Brener e Alex Solnick.
Fonte: .YouTube

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff e o Discurso de Posse

Palavras que Acenam para Uma Caminhada Positiva


Dilma Rousseff se emocionou e me emocionou várias vezes,durante o discurso de posse.Primeiro,ao dizer que irá governar para todos os brasileiros e que a alegria da posse se mistura com a emoção da despedida de Lula .Depois,ao falar do orgulho e alegria que toda mulher deve ter em ser mulher e que  irá" honrar a mulheres, proteger as mais frágeis e governar para todas".Dilma rendeu ainda, homenagem aos muitos que tombaram durante a ditadura e ao  vice-presidente José Alencar. Citou a incansável luta de Alencar(referindo-se à luta contra o câncer),o exemplo de coragem e amor à vida e o companheirismo de Alencar com o presidente Lula durante os 8 anos de mandato.Incomodou-me porém, ao ouví-la logo a seguir, dizer que irá com Michel Temer seguir o caminho iniciado por Lula e José Alencar. Era como se  a frase dita,rascunhasse a homenagem ao bom e ético cidadão José Alencar. Mas, alianças foram firmadas para que ela chegasse a presidência e entendo que os acordos terão que ser respeitados.
 Já no final do discurso, ela cita o poeta "O correr da vida - diz ele - embrulha tudo. A vida é assim: esquenta, esfria, aperta e, daí, afrouxa; sossega e, depois, desinquieta, o que ela quer da gente é coragem".  Termina rendendo uma homenagem à mãe , a filha e a neta e comprometendo-se  em cuidar do povo brasileiro nos próximos anos da sua vida.
Como cidadã,  fiquei atenta  e agradou-me as palavras ditas durante todo o discurso.Mas, como historiadora, educadora e consultora política  posso afirmar, que a presidenta Dilma Rousseff  trouxe calmaria ao meu coração quando afirmou:
" prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras." com esta frase ,ela arranca aplausos não somente dos presentes na solenidade,  mas de todos os brasileiros e principalmente de todos nós cearenses que lutamos em prol da liberdade de imprensa e que até bem pouco tempo, nos inquietava o fato da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, ter aprovado o polêmico Projeto de Criação do Conselho de Comunicação de autoria da deputada Raquel Marques, no qual, a imprensa seria "regulada" para não dizer censurada.Felizmente, o projeto foi rejeitado pelo governador Cid Gomes.





Meus queridos brasileiros e brasileiras,
Pela decisão soberana do povo hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico dessa decisão.
Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação. Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber neste momento uma centelha da sua imensa energia e sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa dessa ousadia do voto popular que após levar à Presidência um homem do povo, um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do País.
Venho para abrir portas, para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser presidentes e para que, no dia de hoje, todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher. Não venho para enaltecer a minha biografia, mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo, reitero, é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos.
Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este País já viveu nos tempos recentes.
Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva! Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Lula, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao País a seu lado nesses últimos anos. De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do País.
A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar, investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixa para todos nós. Sob a sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da nossa história. Minha missão agora é consolidar essa passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.
Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do presidente Lula nesses oito anos: nosso querido vice-presidente José Alencar! Que exemplo de coragem e amor à vida nos dá esse grande homem! E que parceria fizeram o Presidente Lula e o vice-presidente José Alencar pelo Brasil e pelo nosso povo! Eu e o vice-presidente, Michel Temer, sentimo-nos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.
Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, a seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes liderados pelo presidente Lula, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.
Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional. Milhões de empregos estão sendo criados. Nossa taxa de crescimento mais que dobrou. Encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa. Reduzimos, sobretudo, a nossa dívida social, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançar a classe média.
Mas, em um país com a complexidade do nosso é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar sempre novas soluções. Só assim poderemos garantir aos que melhoraram de vida que eles podem alcançar mais e provar aos que ainda lutam para sair da miséria que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de vida e de patamar, que podemos ser de fato uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, um País de classe média sólida e empreendedora, uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras, para enfrentar esses grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui, mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores. Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.
Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade, especialmente a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo da nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.
É portanto inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.
Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da nossa pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda a nossa atenção. Nos setores mais produtivos, a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.
O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo, o desenvolvimento e o apoio à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso País. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.
Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um País continental, sustentando a vibrante economia do Nordeste, preservando, desenvolvendo, respeitando a biodiversidade da Amazônia no Norte, dando condições dando condições à extraordinária produção agrícola do Centro-Oeste, a força industrial do Sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do Sul.
É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar ainda mais e melhor a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.
No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Esse é um passo decisivo e irrevogável para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população, no período do governo do presidente Lula. É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovadora efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas de saúde, da educação e da segurança, o que é vontade expressa das famílias e da população brasileira.
Queridos brasileiros e brasileiras, a luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.
Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso País e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido. Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem alimento na mesa. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. É este o sonho que vou perseguir.
Essa não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda a nossa sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e das pessoas de bem.
A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações. É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e de desenvolvimento regional. Isso significa, reitero, manter a estabilidade econômica como valor.
Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres. Continuaremos fortalecendo nossas reservas externas para garantir o equilíbrio das contas externas e bloquear, impedir a vulnerabilidade externa.
Atuaremos decididamente, nos fóruns multilaterais, na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o País da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos. Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos, que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.
Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público. O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e de educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços públicos é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.
Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.
Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento e do Programa Minha Casa, Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos Ministérios. O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos Estados e municípios; será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.
Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida em todas as regiões envolvidas.
Esse princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas, mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso desse meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.
Nas últimas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental, porém é preciso melhorar a sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio. Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré-escolas. No ensino médio, além do aumento do investimento público, vamos estender a vitoriosa experiência do ProUni para o ensino médio e profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.
Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso dos professores e da sociedade com a educação das crianças e dos jovens. Somente com o avanço na qualidade do ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo. Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro. O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura com o uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.
Vou usar, sim, a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário. Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS. A formação e a presença de profissionais de saúde, adequadamente distribuídos, em todas as regiões do País será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, a ação integrada de todos os níveis do governo e a participação da sociedade são o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.
Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas em forte parceria com Estados e municípios.
O Estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de Governo, incluindo, quando necessário, a participação decisiva das Forças Armadas.
O êxito dessa experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento dos jovens. Buscaremos, também, uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente. Reitero meu compromisso de agir no combate às drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra a nossa juventude e infelicita as nossas famílias.
O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente, queridas brasileiras e queridos brasileiros, se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental. A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.
O grande agente dessa política foi e é a Petrobras, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética e do petróleo. O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no pré-sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, muita coisa melhorou no nosso País, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era, o despertar de um novo Brasil. Recorro a um poeta da minha terra natal. Ele diz: "O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme".
Pela primeira vez, o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser uma nação desenvolvida, uma nação com a marca inerente também da cultura e do estilo brasileiro: o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância. Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e à matriz energética mais limpa do mundo permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.
O mundo vive um ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática. Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais.
Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e para a inovação como instrumento fundamental de produtividade e competitividade do nosso País.
Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico ou no campo do desenvolvimento econômico pura e simplesmente, e pressupõe o avanço social e a valorização da nossa imensa diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.
Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais, e expandir uma exportação de nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo. Em suma, temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar, investindo fortemente nas áreas mais modernas e sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural. Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade devem ser mais que nunca conceitos vivos no dia a dia da nossa nação.
Queridas e queridos brasileiros e brasileiras, considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um País crescer aceleradamente sem destruir o meio ambiente.
Fomos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um País que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada. O etanol, as fontes de energias hídricas terão um grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, as eólica e solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e de suas imensas florestas.
Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais, mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais. Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.
Meus queridos brasileiros e brasileiras, nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira, promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos direitos humanos e fortalecimento do multilateralismo.
O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo. Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos, com nossos irmãos da América Latina e do Caribe, com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Europeia. Vamos dar grande atenção aos países emergentes.
O Brasil reitera com veemência e firmeza a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao nosso continente. Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul à Unasul.
Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais. Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença, frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional. Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial às Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, disse, ao início desse discurso, que governarei para todos os brasileiros e brasileiras e vou fazê-lo.
Mas, é importante lembrar que o destino de um País não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que juntos fizermos por ele hoje, do tamanho da participação de todos e de cada um, dos movimentos sociais, dos que labutam no campo, dos profissionais liberais, dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores, dos intelectuais, dos servidores públicos, dos empresários, das mulheres, dos negros, dos índios, dos jovens, de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.
Quero estar ao lado do que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, no semi-árido nordestino e em todos os seus rincões, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.
Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas, no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.
Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso País. Respeitada a autonomia dos Poderes e o Princípio Federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário e com a parceria de governadores e prefeitos, para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.
Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais, da liberdade de culto e de religião, da liberdade de imprensa e de opinião.
Reafirmo o que disse, ao longo da campanha, que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem como eu e tantos outros da minha geração lutamos contra o arbítrio, a censura e a ditadura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.
O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são os elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.
Eu e meu vice-Presidente, Michel Temer, formos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo, onde capacidade profissional, liderança, e a disposição de servir ao País serão os critérios fundamentais.
Mais uma vez, estendo minha mão aos partidos de oposição e às parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte e do meu governo discriminação, privilégios ou compadrinho.
A partir deste momento, sou a presidente de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos. Serei rígida na defesa do interesse público, não haverá compromisso com o desvio e o mal feito, a corrupção será combatida permanentemente e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, chegamos ao final deste longo discurso. Queria dizer a vocês que eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil: entreguei, como muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um País justo e democrático; suportei as adversidades mais extremas, infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tão pouco não tenho ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração que tombaram pelo caminho não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista e rendo-lhes minha homenagem.
Esta, às vezes, dura caminhada, me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu, sobretudo, coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro, mais uma vez, ao poeta da minha terra: "O correr da vida - diz ele - embrulha tudo. A vida é assim: esquenta, esfria, aperta e, daí, afrouxa; sossega e, depois, desinquieta, o que ela quer da gente é coragem".
É com essa coragem que vou governar o Brasil, mas, mulher não é só coragem, é carinho também, carinho que dedico a minha filha e ao meu neto, carinho com que abraço a minha mãe, que me acompanha e me abençoa. É com esse imenso carinho que quero cuidar do meu povo e, a ele, dedicar os próximos anos da minha vida. Que Deus abençoe o Brasil! Que Deus abençoe a todos nós! E que tenhamos paz no mundo!