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domingo, 17 de abril de 2016

PLENÁRIA da VERGONHA - Votação do impeachment da presidente Dilma Rousseff


PLENÁRIA da VERGONHA 
Hoje, 18 de abril, segunda-feira, acordei triste, com febre e forte dores de cabeça. Não somente por causa da virose, mas principalmente por saber que ontem,17 de abril, foi um dia histórico para todos nós brasileiros e que este dia, não foi um demonstrativo de avanço. Domingo, presenciamos um espetáculo circense, com roteiro e direção escrito e montado pelo presidente da câmara EDUARDO CUNHA, político sem escrúpulos, réu no Lava-Jato, denunciado ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria-Geral da República, por corrupção e lavagem de dinheiro, acusado de receber R$ 5 milhões em propinas.
As manifestações pró e contra impeachment ocuparam não somente a Esplanada dos Ministérios, mas as praças e ruas do nosso país, nos inquietando e provocando em nós...horas revolta...horas emoção. Desde muito jovem, participei intensamente das grandes manifestações políticas em meu país, e se nunca me filiei a nenhum partido político, foi exatamente por discordar das alianças "necessárias", por discordar das afirmativas "ele roubou, mas faz muito por São Paulo", ao referir-se a Maluf " ou " ele sucateou o Maranhão, mas é muito preparado" com relação a Sarney. Nunca engoli essas afirmações.
Lutamos pelas diretas e em pouco tempo, lutamos pelo impeachment de Collor, ao ficar comprovado seu envolvimento com corrupção. Quisera eu estar hoje comemorando a vitória da moralidade política no Brasil, como comemoramos a vitória das eleições diretas e qdo elegemos o nosso primeiro presidente pelo voto direto. Mas, o que se comemora nesse momento é o retrocesso da nossa História.
Confesso, que assim como chorei de emoção ao eleger Lula presidente, senti-me profundamente traída e incomodada ao vê-lo firmando alianças em nome do "mal necessário", com Collor, Sarney, Michel Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e tantos outros, que a esquerda tando combateu no passado. Quando vi as alianças, já previa que o pior estava pra vir, os ideiais da Dilma não iriam se amoldar aos de Eduardo Cunha e dessa cambada de políticos de direita. Pior ainda, que presenciar essas alianças, foi imaginar os acordos que estariam sendo feitos para a continuidade do poder. E o PT, aquele partido de tantos líderes que lutaram pela Reforma Agrária, melhoria da Saúde, Educação, pela questão da Mulher e tantas outras bandeiras, começava a desnuvelar-se e a fazer bordados e costuras, que não agradavam os meus olhos. Muitos políticos, que me fizeram crer que na política é possível trabalhar com ética e sem corrupção, foram se afastando e rompendo com o PT. Como é caso da Heloisa Helena, Chico Alencar, Marina Silva, João Alfredo, Renato Roseno, Cristóvão Buarque e tantos outros. Mas, quando o ideal de igualdade, liberdade, emancipação do povo e garantia dos direitos democráticos são ameaçados, juntam-se todos "quando a alma não é pequena". Foi o que presenciamos nesse momento político, onde o PSOL, PCdoB, PT e muitos deputados do PDT, deixaram de lado as divergências políticas, para salvar um projeto maior em nome da nação.
De cama, acompanhei pela TV um verdadeiro espetáculo circense durante a votação do impeachment . Vi pela segunda vez, a votação do impeachment. Se antes, fui as ruas de cara pintada, camiseta estampando "Fora Collor", me dói o corpo, a cabeça e principalmente o coração ao testemunhar, que nesse momento em nosso país, configura-se um retrocesso político e histórico sem prescedente. No qual, os "aliados" da presidenta Dilma, Michel Temer, vice-presidente da república e Eduardo Cunha, presidente da cãmara, contrariados nos seus ambiciosos interesses, maniqueisticamente organizam mecanismos pra destituir do poder, a presidenta eleita democraticamente pelo povo.
Se em 1989, ocorreu a queda do Muro de Berlim, unindo não só a Alemanha Oriental e Ocidental, mas representando o fim da Guerra Fria e reintegração dos povos, me entristece observar através da TV, um Muro de um quilômetro de extensão na Esplanada dos Ministério, como método para separar os manifestantes em dois grupos. A idéia segregacionista só poderia ser de um fascista evangélico, que pretende dividir o Brasil entre os "bons" e os " maus", logicamente para ele liderar os "bons". Por isso, o muro foi batizado pelo povo, como muro da vergonha e ganhou as páginas dos jornais estrangeiros
DE QUEM FOI A IDÉIA ?!
De Eduardo Cunha ex-aliado político de Dilma Rousseff, político que juntamente com Michel Temer ,vice-presidente da República, ajudaram a presidente Dilma a reeleger-se. Mas, como já era de se esperar, de quem faz política por oportunismo e não por ideologia, a "dupla dinâmica" de articuladores do processo Pro Impeachment, trairam a presidenta e o pacto à favor da nação.
QUE PAÌS É ESSE?!
Onde um homem como Jair Bolsonaro, machista, racista, homofóbico e defensor da ditadura em toda América Latina é eleito deputado? Pior ainda, ver que deputados eleitos pelo povo e que deveriam defender os direitos humanos, aplaudiram ontem o Bolsonaro, qdo ele ao votar à favor do Impeachment., dedicou seu voto ao Carlos Alberto Ustra, coronel do Exército Brasileiro, ex-chefe do DOI-CODI do II Exército, um dos órgãos atuantes na repressão política, durante o período do regime militar no Brasil. A Arquidiocese de São Paulo, por meio do projeto "Brasil Nunca Mais", denunciou mais de 500 casos de tortura cometidos dentro das dependências do Doi-Codi no período em que Ustra era o comandante, de 1970 a 1974.
Bolsonaro ainda na sessão, puxou o braço do deputado Jean Wyllys após o seu corajoso pronunciamento, dizendo:“veado”, “queima-rosca”, “boiola” e outras ofensas homofóbicas, provocando no calor da emoção, a reação imediata do deputado Wyllys, ao cuspir na cara de Bolsonaro. Nunca vi tanto horror num local, onde deveríamos presenciar bons exemplos.
Brasil presenciou ontem, um dos mais importantes fatos da História e ao mesmo tempo um Festival de Patifaria. A votação do impeachment presidida por um político, comprovadamente corrupto, seguido por bando de deputados, que na sua maioria jamais passariam na prova do ENEM. Muitos não entendiam a importância do voto de cada um, muito menos do que representaria naquele momento o voto de cada um. Era visível que ao votarem os deputados, não se posicionavam como responsáveis pelo destino da nação, ao justificarem o voto ao microfone, pareciam jogadores num cassino ou casa de Bingo. Votaram em nome dos filhos, da mãe, do pai e até chegaram a chamar o filho pra votar no seu lugar, não sendo aceito é claro.
Fui dormi com muita tristeza, vendo que avançamos no tempo e retrocedemos na nossa história política. Ao acordar, desejei ver manifestos nas redes sociais pedindo a saida do Eduardo Cunha. Afinal, os que torciam pelo Impeachment justificavam que queriam o fim da corrupção.
Mas, quanta decepção...o que vejo é muitos postando piadinhas favoráveis a Cunha, achando-o corajoso e afirmando que o mesmo é um "Mal Necessário" e até chamando-o de "meu Malvado Favorito".
BASTA!!! Chega de letargia, temos que nos unir e repudiar pessoas inescrupulosas, como Eduardo Cunha, Bolsonaro e seus aliados, sem TEMER.
Não podemos permitir que transformem nosso pais num picadeiro, como fizeram ontem.
Sigamos todos de mãos dadas contra essa corrupçao que instalou-se de forma vergonhosa na nossa política, em quase todos os partidos políticos. Que a gente siga sonhando, que é possível sim, fazer política sem alianças escusas e sem corrupção.
Que as investigações prossigam em todos os partidos e estados do Brasil. Que todos os envolvidos com corrupção, sejam exemplarmente punidos, a começar pelo afastamento de Eduardo Cunha no Senado. LUTEMOS!!!!
CONTINUEMOS na LUTA por um PAÍS JUSTO e DEMOCRÁTICO!


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domingo, 12 de abril de 2015

A MARCHA VERDE e AMARELA


Neste domingo, 12 de abril, os brasileiros voltam às ruas para protestarem contra o governo da presidente Dilma Rousseff, pelo fim da corrupção e pedirem o Impeachment. Tudo bem, vivemos numa Democracia fruto de muita Luta, por isso todos podem se expressarem livremente, irem às ruas e reivindicarem tudo o que quiserem e que acharem ser de direito. 
Eu também sou " Contra a Corrupção", torço pelo " Fim da Impunidade" e luto pela "Moralidade no Congresso".
Continuo acreditando na política, como algo necessário e importante pra vida de todos nós. Por isso, peço desculpas desde já aos "bem intencionados" e/ ou aos "inocentes úteis" manifestantes de hoje, por ter tido a impressão de que  muitos dos participantes estavam na passeata, como se fizessem parte de um evento dominical. Confesso que dói na minha alma, ver jovens ao lado dos seus pais, segurando faixas que mostram desconhecerem a Política Nacional, além do descompromisso com História do Brasil e com a Liberdade de Expressão.

Será que todos os manifestantes presentes nas passeatas, possuem consciência de que ao pedirem o Impeachment da presidenta Dilma, estão lutando para colocarem no poder Michel Temer, vice-presidente da República e atual aliado político da presidenta?!
Acho muito contraditório, levantarem a bandeira à favor da "Liberdade de Expressão"e permitirem que manifestantes  caminhem lado a lado, levantando faixas pedindo a Intervenção Militar e a volta da Ditadura.

Nada justifica...sei que muitos grupos se organizaram aleatoriamente através das redes sociais e que devemos respeitar o pensar diferente. Mas, não podemos esquecer os "ANOS de CHUMBO"... cruel período da Ditadura militar no Brasil (1964-1985). No qual, tanta gente morreu e foi torturada injustamente. Desconhecer esse período, é, no mínimo, desconhecer a história do País. 

Temos que lutar pelos Direitos Humanos, pela Igualdade de Direitos e pela garantia dos direitos constitucionais. Só assim, poderemos continuar marchando livremente pelas ruas e honrando a nossa bandeira. É preciso entender, que com a Intervenção Militar e a volta da Ditadura o que é VERDE apodrece e o sangue vermelho, que corre nas nossas veias e faz nosso coração pulsar, torna-se AMARELO. Fácil de imaginar, quantas milhares de mães teriam seus lares invadidos, seus filhos aprisionados  e até assassinados, em nome da Segurança Nacional.
Todo e qualquer livro, que você tiver na estante, poderá lhe incriminar e lhe comprometer. Livros??? Há...hoje, a vida gira em torno das mídias e redes sociais, instrumentos de comunicação que tornaram-se indispensáveis para todos nós. Por serem, facilitadores da comunicação e informação, nas ditaduras eles também são controlados.

Se durante a Ditadura Militar, muitos brasileiros foram torturados e presos, sem a mínima noção das razões que os levaram à condição de vítimas do Regime. Me preocupa observar, que nessas manifestações de 2015, com milhares de Homens e Mulheres de todas as idades, nem todos estão abraçando a mesma causa, que é a de " Combate a Corrupção". Diferente da passeata dos "Cem Mil", em 1968, uma das mais expressivas manifestações populares da República brasileira, onde todos protestavam contra a ditadura militar e a repressão. 

Os manifestantes de hoje, não percebem o perigo ameaçador para a Democracia, ao caminharem com os  que defendem  a " A Intervenção Militar".  Cansados de tanta corrupção na política, muitos não enxergam a possibilidade de estarem entrando num comboio, que poderá seguir por trilhos inesperados e ameaçadores para a Democracia, levando-os por caminhos desconhecidos e aterrorizantes, nos quais jamais desejariam estar.
Como a Vida imita a Arte, recomendo um pouco  de reflexão através da música de Zé Ramalho.


Vida De Gado

Zé Ramalho

Vocês que fazem parte dessa massa,
Que passa nos projetos, do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar muito mais, do que receber.
E ter que demonstrar, sua coragem

A margem do que possa aparecer.
E ver que toda essa, engrenagem
Já sente a ferrugem, lhe comer.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
E correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado, ê
Povo feliz

O povo, foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores, tempos idos
Contemplam essa vida, com a cela
Esperam nova possibilidade
De verem esse mundo, se acabar
A arca de Noé, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar,
Não voam nem se pode flutuar.

Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz
Eh, ôô, vida de gado
Povo marcado e,
Povo feliz


A MARCHA DOS CEM MIL - 1968



26 de junho de 1968, composta por aproximadamente cem mil pessoas, entre elas artistas, intelectuais, padres, mães, estudantes e políticos, descontentes com o governo, ocuparam as ruas do centro do Rio de Janeiro e realizaram o mais importante protesto contra a ditadura militar . 


Eva Todor, Tonia Carreiro, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengel

Vladimir Palmeira, o líder do movimento civil, discursando durante a Passeata dos Cem Mil, em 1968

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Jair Rodrigues o Pai do Rap no Brasil Segue em Disparada pra Abraçar Elis Regina


O abraço amigo dos parceiros musicais Elis Regina e Jair Rodrigues
"Prepare o seu coração, pras coisas, que eu vou contar" :
O cantor Jair Rodrigues, que tanto nos emocionou pela forma vibrante de cantar, morreu nesta manhã de quinta-feira (8) aos 75 anos, em São Paulo. Jair, conquistou meu coração e o de muitos brasileiros ao  interpretar "Disparada", música de Geraldo Vandré, tornando-a vencedora no Festival de Música da TV Record, em 1966,  período da Ditadura Militar. "Deixa que digam, que pensem, que falem"...já preconizava o Rap, segundo o criativo e inteligente Jair Rodrigues.O músico seguiu no balanço, mas nos deixou muito carinho musical, que seguirá conosco e tomara, seja regado pela novas gerações.


Disparada
Geraldo Vandre

Prepare o seu coração
Pras coisas
Que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar

Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
A morte e o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu

Boiadeiro muito tempo
Laço firme e braço forte
Muito gado, muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos
Que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei

Então não pude seguir
Valente em lugar tenente
E dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange, ferra, engorda e mata
Mas com gente é diferente

Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto pra enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar

Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por mim nem por ninguém
Que junto comigo houvesse
Que quisesse ou que pudesse
Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer ir mais longe
Do que eu

Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E já que um dia montei
Agora sou cavaleiro
Laço firme e braço forte
Num reino que não tem rei


"Este é um vídeo raro, pois as imagens do Show feito por Elis e Jair em 1965 no Teatro Paramout foram perdidas nos incêndios da antiga TV Record. Porém durante a viagem que os dois (No auge do sucesso!) fizeram a Portugal no final daquele ano, alguns trechos foram exibidos pelas televisões lusitanas permitindo que este expressivo e importante momento da musica brasileira fosse preservado. 
Este vídeo mostra um curto trecho do famoso "Pout Pourri do Morro" interpretado por Elis Regina e Jair Rodrigues com o acompanhamento luxuoso da "maravilhosa cozinha" do Jongo Trio".


Jair Rodrigues dividindo o palco com os filhos também cantores, Luciana Mello e Jairzinho.

A cantora e compositora Luciana Mello, filha de Jair Rodrigues, escreveu nas redes sociais:"Quero agradecer, de coração, o imenso carinho que estamos recebendo! Em breve falaremos com todos. Só pedimos que respeitem nossa privacidade nesse momento tão difícil e sofrido...Muito obrigada!!."



Brincadeira Musical em Família... para alegria dos filhos e de todos nós.



Deixa Isso Pra Lá

Jair Rodrigues

Deixa que digam
Que pensem
Que falem

Deixa isso pra lá
Vem pra cá
O que que tem ?
Eu não estou fazendo nada
Você também
Faz mal bater um papo
Assim gostoso com alguem ?

Vai,vai,por mim
Balanço de amor,é assim
Mãozinha com mãozinha pra lá
Beijinhos e beijinhos pra cá

Vem balançar
Amor é balanceio meu bem
Só vai no meu balanço quem tem
Carinho pra dar

O céu é mais que azul, hoje os que o habitam serão presenteados com um espetáculo estelar

terça-feira, 1 de abril de 2014

DITADURA

a poderosa arma dos generais e a arte da resistência

Por Lila Dourado
O Brasil viveu um período de ditadura militar entre 1964 e 1984, uma fase bastante triste da nossa história. Com o Golpe de 64, os presidentes da República passavam a serem indicados por uma junta de comandantes das Forças Armadas.
As Forças Armadas, cujo papel deveria ser o de defesa do país, da integridade territorial e da garantia dos poderes constitucionais, institucionalizou por 21 anos  a corrupção e fez da tortura uma prática política, tornando-se juizes  da Pátria.
Durante a Ditadura, os generais aliados dos banqueiros, fazendeiros, políticos vindos da antiga União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Social Democrático(PSD) com interesses comuns, formavam uma oligarquia avessa as críticas ou à oposição. Os militares prendiam, batiam e matavam professores, políticos, estudantes, jornalistas e artistas, procurando envilecer o caráter dos movimentos sociais organizados. Com o poder que tinham, os militares poderiam ter transformado o Brasil numa grande nação, com reformas substanciais. Mas, fizeram o inverso, asseguravam o crescimento econômico da burguesia, ampliando o abismo entre pobres e ricos do país.
O regime militar violentou os direitos humanos e interrompeu o diálogo democrático, entre o governo e a sociedade. Nesse período, o teatro tornou-se necessariamente político, mas contundente e de protesto. Algumas peças teatrais eram feitas pelos Centros Populares de Cultura(CPC) da UNE, abordando a Reforma Agrária, a história do campesinato e do operariado. Foi o momento do florescimento da dramaturgia brasileira e da arte de representar. Os textos e os atores denunciavam a ditadura, o entreguismo e a covardia governamental ao se integrar inteiramente ao poder do governo dos EUA e aos outros países, além da subserviência ao poder cívico militar.
O dramaturgo Augusto Boal,  criador do Teatro do Oprimido, auto-exilou-se durante boa parte do regime militar. Em 1968, quando a liberdade de expressão foi amordaçada com AI-5, Boal desenvolveu com outros atores, o teatro-jornal,  procurando dar ao espectador não o produto acabado, mas os meios de produção. Ensinava a fazer teatro a partir de notícias de jornal.
Às vezes, a censura não proibia o espetáculo, mas cortava 80% do texto a ser apresentado, o que levava a revolta de muitos autores e atores, como: Ruth Escobar, Cacilda Becker, Fernanda Montenegro, Augusto Boal, Zé Celso Martinez, Fernando Gabeira, Ferreira Gullar, , prin
 O clima de protesto contaminava muitos artistas, muitos deles reuniram-se no Show Opinião, peça musical de protesto escrita por Armando Costa, Oduvaldo Viana Filho e Paulo Pontes. Com músicas de Zé Keti e João do Vale formavam um imenso painel cultural da época. Na voz de Nara Leão os trechos: "Carcará/ Pega, mata e come/ Carcará/ Num vai morrer de fome/ Carcará/ Mais coragem do que home". Nara, utilizou sua voz como instrumento de denúncia.Os poemas e depoimentos lidos por ela, mostravam o desejo de ensinar um novo caminho, o da liberdade. Sua voz tornava-se firme ao dizer: " Podem me prender,/ podem me bater/ podem até deixar-me sem comer/ Que eu não mudo de opinião", ela acreditava seriamente que- " O Brasil é o que a gente faz dele", principalmente quando observava a platéia cantando junto.
Cacilda Becker tornou-se porta-voz de toda a classe teatral, quando declarou desobediência civil: " De hoje em diante os artistas brasileiros não obedecem à censura; nós vamos fazer os nossos espetáculos, não vamos mandar mais para a censura. Desconhecemos a censura". Com estas palavras, Becker destacou-se na luta contra a censura imposta pelo Regime Militar.
A onda de protesto percorria o Brasil de Norte a Sul e o confronto com a política resultava em mortes  e feridos. Os grupos de esquerda, unidos e presentes nas manifestações teatrais, nos atos estudantis, atentados contra representações diplomáticas estrangeiras e bancos, divergiam quanto à linha de ação e combate à ditadura.
O poeta Ferreira Gullar, presidente do CPC da UNE em 1964 e membro do  partido comunista brasileiro, preso m 1968 quando Costa e Silva decretou o AI-5, posicionou-se contra a luta armada:" A minha luta que pregava, era luta pacífica para ganhar a opinião pública e obrigar a ditadura a abrir e devolver ao país as  liberdades democráticas, vencemos, porque a ditadura foi derrotada, não pela Luta Armada. Ela foi derrotada pelo voto." Gullar, buscava através do CPC conscientizar as massa populares da condição de opressão e exploração.
O Cinema Novo, manifestação artística da maior importância, consolidava-se com Nelson Pereira dos Santos. Glauber Rochacom o Slogan " Uma idéia na cabeça e uma câmera na mão" rebelava-se contra a estética e modelo econômico-social dominante e exigia reformas.
Diante do impasse entre os movimentos populares (pró-governo) e conservadores(contra o governo),ganhava peso a idéia de que o impasse só seria resolvido com a deposição dos militares do poder.
A partir dos Anos 70,os  movimentos populares ganharam força, artistas, jornalistas, advogados, professores, políticos e estudantes, mobilizaram a sociedade civil e respaldados pela igreja católica,  a partir de 1980 consolidam-se na luta pela Anistia e Liberdade Democrática no país.


Em 1968, Geraldo Vandré tornava-se o ícone do movimento artístico brasileiro, ao compor a música "Prá Não Dizer Que Não Falei de Flores". A música tornou-se um hino para estudantes e artistas. Todos a cantavam em encontros e passeatas. Os militares consideravam Vandré, subversivo e perigoso. O artista ao ser perseguido, preso e torturado pelos militares, levou Chico Buarque de Holanda a usar o pseudônimo "Julinho da Adelaide", para escapar da perseguição da censura. Apesar de duro e cruel, o regime não conseguiu evitar que a criatividade florescesse, nas mentes dos nossos brilhantes artistas. Muitos sentiam-se na obrigação de conscientizar a população, sobre o papel de cada um na sociedade, através das músicas de protestos. Tornaram-se porta-vozes do povo, ao denunciar a ação das Forças Armadas no Brasil.

Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores




Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores 
Geraldo Vandré


Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não
Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Caminhando e cantando
E seguindo a canção…

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…

Pelos campos há fome
Em grandes plantações
Pelas ruas marchando
Indecisos cordões
Ainda fazem da flor
Seu mais forte refrão
E acreditam nas flores
Vencendo o canhão…

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…

Há soldados armados
Amados ou não
Quase todos perdidos
De armas na mão
Nos quartéis lhes ensinam
Uma antiga lição:
De morrer pela pátria
E viver sem razão…

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…

Nas escolas, nas ruas
Campos, construções
Somos todos soldados
Armados ou não
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Somos todos iguais
Braços dados ou não…

Os amores na mente
As flores no chão
A certeza na frente
A história na mão
Caminhando e cantando
E seguindo a canção
Aprendendo e ensinando
Uma nova lição…

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer…




Em agosto de 1979, Figueiredo assina a Lei da Anistia, beneficiando mais de 4 mil pessoas penalizadas durante os difíceis anos da ditadura. Graças a Lei da Anistia, os presos políticos foram soltos e os exilados puderam retornar ao país. Entre eles: Leonel Brizola, Jânio Quadros, Fernando Gabeira, José Serra, Celso Furtado, Darci Ribeiro,Miguel Arraes, José Dirceu, Luis Carlos Prestes, João Amazonas e muitos artistas e intelectuais.
O cenário brasileiro começou a mudar com a Nova República, o povo depositava as esperanças na nova fase da história, ao som da música "O Bêbado e o Equilibrista", que tornou-se o grande hino da anistia na voz de Elis Regina. Elis, a maior intérprete da MPB morreu aos 36 anos em 1982, sem experimentar esta vista panorâmica da Democracia, pintada pela luta do povo brasileiro e na qual era perceptível a mão da grande bossanovista que resistiu bravamente ao regime. Elis foi bem mais que um "Falso Brilhante".

O Bêbado e o Equilibrista
João Bosco e Aldir Blanc,1979

Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos

A lua tal qual a dona do bordel
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel

E nuvens lá no mata-borrão do céu
Chupavam manchas torturadas
Que sufoco!
Louco!
O bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil
Pra noite do Brasil
Meu Brasil!

Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu
Num rabo de foguete
Chora
A nossa Pátria mãe gentil
Choram Marias e Clarisses
No solo do Brasil

Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente
A esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha
Pode se machucar

Azar!
A esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Zuzu Angel Uma Mulher Com Vestes à Flor da Pele

Zuzu Angel revolucionou o mundo da Moda .Mas, criou também Novas Vestes para a História da luta da Mulher no Brasil. Assim como Picasso, usou suas telas como instrumento de denúncia contra a Guerra Civil Espanhola, Zuzu Angel usou suas criações como cartazes de protestos contra as arbitrariedades cometidas pela  ditadura militar.A estilista Zuzu, seguiu costurando os sonhos de muitas mães de filhos desaparecidos, agregando dores à esperança e através dos bordados das suas ações contínuas, contribuiu para que o nosso país tivesse o figurino que temos hoje.



Zuzu Angel, foi um dos primeiros nomes da moda nacional a se inspirar na cultura popular brasileira. A mineira, Zuleika de Souza Netto, casou-se com o viajante comercial norte americano  Norman Angel Jones, teve três filhos e mudou--se no Rio de Janeiro em 1947. Dez anos depois de estar no Rio,  a costureira cria seu primeiro ateliê de costura no bairro de Ipanema.




Vestido de noiva da Coleção International Dateline Collection, de 1972, by Zuzu Angel.  Este vestido é todo em renda de bilro entremeada e ligada por quadrados de organza, tendo no centro buquês de florezinhas coloridas bordadas em ponto de cruz - Crédito: Acervo Instituto Zuzu Angel

Elke Maravilha - Coleção Helpless Angel (Anjo Desamparado) Acervo Instituto Zuzu Angel

Stuart Jones,filho de Zuzu  era militante do MR-8 e tinha 24 anos quando foi preso na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, em 14 de maio de 1971. Desde a data, Zuzu começou uma peregrinação por quartéis e gabinetes em busca de notícias do filho, mas ninguém dizia nada. A mãe soube o paradeiro do filho alguns meses depois,ao receber uma carta de Alex Polari, preso político que testemunhou o sofrimento de Stuart "Ele foi arrastado de um lado para o outro, seu corpo esfolado, amarrado a um jipe (...) forçado a aspirar os gases tóxicos do veículo, com o cano de descarga enfiado na boca". 
A estilista com o coração partido, resolveu enviar uma carta ao general Ernesto Geisel, que tinha se tornado presidente. "Agora, sinto que posso acalentar uma triste e pobre esperança: saber ao menos onde está o corpo do meu Stuart. Rogo, assim, à Vossa Excelência, mandar apurar o que ocorreu. Meu filho era moço, idealista, morreu como um cão. Quero dar-lhe um enterro de gente"




As baianas de Zuzu Angel, da coleção International Dateline Collection, de 1972 - Crédito: Acervo Instituto Zuzu Angel



Não podemos negar a importância de Denner e Clodovil para a Moda Brasileira, eram talentosos e criativos.Mas, neste período era inegável a influência da moda francesa nos figurinos dos grandes costureiros e/ou estilistas.
Vale lembrar, que  moda brasileira que hoje é respeitada internacionalmente pela identidade nacional, foi definida nas criações e desfiles de Zuzu Angel.Que apenas acentuou-se nos anos 90, após a abertura política para o mercado econômico dos importados, no governo de Collor de Melo,pois mesmo que muitas indústrias brasileiras tenham fechado suas portas, os estilistas brasileiros foram impulsionados na concorrência, a criar uma moda com brasilidade, como diferencial.
Zuzu Angel além de ser considerada uma das primeiras estilistas a se inspirar na cultura brasileira, foi tambem a pimeira a usar a roupa como instrumento político contra a ditadura militar.
A LOGOMARCA DO ANJO,era uma alusão ao sobrenome e ao filho, Stuart Angel assassinado durante a ditadura militar.Após a morte de Stuart nos anos 70, Zuzu tornou-se uma mulher combativa e uma mãe incansável  na luta para provar a autoria do assassinato do filho

A estilista passou a usar suas criações como aliadas.No início dos anos 70, abriu uma butique com peças  inéditas, e realizou o primeiro desfile internacional ,graças a criatividade e amizade com a atriz Joan Crawford .O desfile aconteceu na loja Bergdorf Goodman, Nova York.O desfile agradou pela inovação, nele destacou-se as coleções "Mulher Rendeira" e "Maria Bonita", com acessórios que relembravam os usados pela companheira de Lampião e Carmem Miranda.Depois dos aplausos, Zuzu já tinha virado sucesso, entre famosos como Liza Minnelli. Depois do sucesso na Bergdorf,suas coleções passaram a ser vendidas em várias lojas de Nova York, pela Neiman Marcus, Lord & Taylor, Saks e Henry Bendell.
Em 1971, Zuzu  apresenta “a primeira coleção de moda política da história” uma espécie de "desfile-denúncia" no Consulado do Brasil em New York. .Nele as modelos desfilaram com peças com estampas bélicas,de anjos  feridos e engaiolados,anjos amordaçados, meninos aprisionados, sol atrás das grades,  manchas vermelhas e tanques de guerra.
Zuzu teve muitas  celebridades nacionais e internacionais como clientes.Atrizes como Dina Sfat, Bibi Ferreira, Isabel Ribeiro, Marieta Severo, Joana Fomm e a cantora Beth Carvalho adoravam as criações de Zuzu, assim como Joan Crawford, Kim Novak, Veruska, Liza Minelli, Jean Shrimpton, Margot Fontein, através  deles e de Henry Kissinger, Ted Kennedy,denunciou as torturas, a morte e a ocultação do cadáver de seu filho Stuart,  no exterior. 
Stuart Jones,

filho de Zuzu  era militante do MR-8 e tinha 24 anos quando foi preso na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, em 14 de maio de 1971. Desde a data, Zuzu começou uma peregrinação por quartéis e gabinetes em busca de notícias do filho, mas ninguém dizia nada. A mãe soube o paradeiro do filho alguns meses depois,ao receber uma carta de Alex Polari, preso político que testemunhou o sofrimento de Stuart "Ele foi arrastado de um lado para o outro, seu corpo esfolado, amarrado a um jipe (...) forçado a aspirar os gases tóxicos do veículo, com o cano de descarga enfiado na boca". 
A estilista com o coração partido, resolveu enviar uma carta ao general Ernesto Geisel, que tinha se tornado presidente. "Agora, sinto que posso acalentar uma triste e pobre esperança: saber ao menos onde está o corpo do meu Stuart. Rogo, assim, à Vossa Excelência, mandar apurar o que ocorreu. Meu filho era moço, idealista, morreu como um cão. Quero dar-lhe um enterro de gente".
Zuzu Angel passou a vestir-se de preto, com um xale de longas franjas, uma echarpe de organza cobrindo os cabelos, um colar com um anjo de biscuit rodeado de flores. Na cintura, muitas cruzes, medalhas e patuás, símbolos de seu martírio de mãe.
Inconformada com o desaparecimento do filho,chegou a entregar em mão um pacote  ao Henry Kissinger,quando este esteve no Brasil, em 1976. No pacote havia vários documentos, a foto do filho  Stuart Angel Jones, o Livro História da República Brasileira de Helio Silva e uma carta relatando a morte de seu filho.Zuzu advertiu amigos de estar prevendo sua própria morte, pelos algozes que tirarm a vida do seu filho”Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”.
No dia 14 de abril de 1976 morre num acidente de carro
Dr. Higino de Carvalho Hércules, legista   confirmou a versão policial de morte em acidente. Morreu sem conseguir enterrar o filho. Anos depois, a Comissão dos Mortos e Desaparecidos concluiu que Zuzu Angel foi assassinada pelos algozes da repressão.  A Família de Zuzu Angel, foi indenizada e com o dinheiro da indenização, sua flha e jornalista Hildegard Angel e a irmã Ana Cristina fundou o Instituto Zuzu Angel de Moda. Graças ao trabalho desenvolvido pelo Instituto, as novas gerações possuem um material de pesquisa fundamental para análise da História da Moda no Brasil e também um exemplo para as gerações que se seguirem,de uma Mulher que soube resistir as  adversidades do seu tempo e as agruras do Regime Militar, pelo criticismo,censo humanitário e  AMOR incondicional de MÃE .
Na foto, Zuzu Angel com seus três filhos: Hildegard, Ana Cristina e Stuart. 

a jornalista Hildegard Angel com a mãe, Zuzu Angel

Cartaz do Filme Zuzu Angel com Patrícia Pillar e Daniel Oliveira

Quem é essa mulherQue canta sempre esse estribilho?
Só queria embalar meu filho
Que mora na escuridão do mar
Quem é essa mulher
Que canta sempre esse lamento?
Só queria lembrar o tormento
Que fez meu filho suspirar
Quem é essa mulher
Que canta sempre o mesmo arranjo?
Só queria agasalhar meu anjo
E deixar seu corpo descansar
Quem é essa mulher
Que canta como dobra um sino?
Queria cantar por meu menino
Que ele não pode mais cantar"

                   
                   Angelica (Homenagem de Chico Buarque e Miltinho para Zuzu Angel)


Filme Zuzu Angel, de Sergio Rezende.Patrícia Pillar e Daniel Oliveira são os protagonistas da trama e desempenham bem o papel de mãe e filho.


Em cena do Filme "Zuzu Angel",Patrícia Pilar no papel da estilista e Luana Piovani no papel de Elke Maravilha, modelo e grande amiga .







quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Dilma Rousseff e o Discurso de Posse

Palavras que Acenam para Uma Caminhada Positiva


Dilma Rousseff se emocionou e me emocionou várias vezes,durante o discurso de posse.Primeiro,ao dizer que irá governar para todos os brasileiros e que a alegria da posse se mistura com a emoção da despedida de Lula .Depois,ao falar do orgulho e alegria que toda mulher deve ter em ser mulher e que  irá" honrar a mulheres, proteger as mais frágeis e governar para todas".Dilma rendeu ainda, homenagem aos muitos que tombaram durante a ditadura e ao  vice-presidente José Alencar. Citou a incansável luta de Alencar(referindo-se à luta contra o câncer),o exemplo de coragem e amor à vida e o companheirismo de Alencar com o presidente Lula durante os 8 anos de mandato.Incomodou-me porém, ao ouví-la logo a seguir, dizer que irá com Michel Temer seguir o caminho iniciado por Lula e José Alencar. Era como se  a frase dita,rascunhasse a homenagem ao bom e ético cidadão José Alencar. Mas, alianças foram firmadas para que ela chegasse a presidência e entendo que os acordos terão que ser respeitados.
 Já no final do discurso, ela cita o poeta "O correr da vida - diz ele - embrulha tudo. A vida é assim: esquenta, esfria, aperta e, daí, afrouxa; sossega e, depois, desinquieta, o que ela quer da gente é coragem".  Termina rendendo uma homenagem à mãe , a filha e a neta e comprometendo-se  em cuidar do povo brasileiro nos próximos anos da sua vida.
Como cidadã,  fiquei atenta  e agradou-me as palavras ditas durante todo o discurso.Mas, como historiadora, educadora e consultora política  posso afirmar, que a presidenta Dilma Rousseff  trouxe calmaria ao meu coração quando afirmou:
" prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras." com esta frase ,ela arranca aplausos não somente dos presentes na solenidade,  mas de todos os brasileiros e principalmente de todos nós cearenses que lutamos em prol da liberdade de imprensa e que até bem pouco tempo, nos inquietava o fato da Assembléia Legislativa do Estado do Ceará, ter aprovado o polêmico Projeto de Criação do Conselho de Comunicação de autoria da deputada Raquel Marques, no qual, a imprensa seria "regulada" para não dizer censurada.Felizmente, o projeto foi rejeitado pelo governador Cid Gomes.





Meus queridos brasileiros e brasileiras,
Pela decisão soberana do povo hoje será a primeira vez que a faixa presidencial cingirá o ombro de uma mulher. Sinto uma imensa honra por essa escolha do povo brasileiro e sei do significado histórico dessa decisão.
Sei, também, como é aparente a suavidade da seda verde amarela da faixa presidencial, pois ela traz consigo uma enorme responsabilidade perante a nação. Para assumi-la, tenho comigo a força e o exemplo da mulher brasileira. Abro meu coração para receber neste momento uma centelha da sua imensa energia e sei que meu mandato deve incluir a tradução mais generosa dessa ousadia do voto popular que após levar à Presidência um homem do povo, um trabalhador, decide convocar uma mulher para dirigir os destinos do País.
Venho para abrir portas, para que muitas outras mulheres também possam, no futuro, ser presidentes e para que, no dia de hoje, todas as mulheres brasileiras sintam o orgulho e a alegria de ser mulher. Não venho para enaltecer a minha biografia, mas para glorificar a vida de cada mulher brasileira. Meu compromisso supremo, reitero, é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos.
Venho, antes de tudo, para dar continuidade ao maior processo de afirmação que este País já viveu nos tempos recentes.
Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva! Venho para consolidar a obra transformadora do presidente Lula, com quem tive a mais vigorosa experiência política da minha vida e o privilégio de servir ao País a seu lado nesses últimos anos. De um presidente que mudou a forma de governar e levou o povo brasileiro a confiar ainda mais em si mesmo e no futuro do País.
A maior homenagem que posso prestar a ele é ampliar e avançar as conquistas do seu governo. Reconhecer, acreditar, investir na força do povo foi a maior lição que o presidente Lula deixa para todos nós. Sob a sua liderança, o povo brasileiro fez a travessia para uma outra margem da nossa história. Minha missão agora é consolidar essa passagem e avançar no caminho de uma nação geradora das mais amplas oportunidades.
Quero, neste momento, prestar minha homenagem a outro grande brasileiro, incansável lutador, companheiro que esteve ao lado do presidente Lula nesses oito anos: nosso querido vice-presidente José Alencar! Que exemplo de coragem e amor à vida nos dá esse grande homem! E que parceria fizeram o Presidente Lula e o vice-presidente José Alencar pelo Brasil e pelo nosso povo! Eu e o vice-presidente, Michel Temer, sentimo-nos responsáveis por seguir no caminho iniciado por eles.
Um governo se alicerça no acúmulo de conquistas realizadas ao longo da história. Ele sempre será, a seu tempo, mudança e continuidade. Por isso, ao saudar os extraordinários avanços recentes liderados pelo presidente Lula, é justo lembrar que muitos, a seu tempo e a seu modo, deram grandes contribuições às conquistas do Brasil de hoje.
Vivemos um dos melhores períodos da vida nacional. Milhões de empregos estão sendo criados. Nossa taxa de crescimento mais que dobrou. Encerramos um longo período de dependência do Fundo Monetário Internacional ao mesmo tempo em que superamos a nossa dívida externa. Reduzimos, sobretudo, a nossa dívida social, a nossa histórica dívida social, resgatando milhões de brasileiros da tragédia da miséria e ajudando outros milhões a alcançar a classe média.
Mas, em um país com a complexidade do nosso é preciso sempre querer mais, descobrir mais, inovar nos caminhos e buscar sempre novas soluções. Só assim poderemos garantir aos que melhoraram de vida que eles podem alcançar mais e provar aos que ainda lutam para sair da miséria que eles podem, com a ajuda do governo e de toda sociedade, mudar de vida e de patamar, que podemos ser de fato uma das nações mais desenvolvidas e menos desiguais do mundo, um País de classe média sólida e empreendedora, uma democracia vibrante e moderna, plena de compromisso social, liberdade política e criatividade.
Queridos brasileiros e queridas brasileiras, para enfrentar esses grandes desafios é preciso manter os fundamentos que nos garantiram chegar até aqui, mas, igualmente, agregar novas ferramentas e novos valores. Na política é tarefa indeclinável e urgente uma reforma com mudanças na legislação para fazer avançar nossa jovem democracia, fortalecer o sentido programático dos partidos e aperfeiçoar as instituições, restaurando valores e dando mais transparência ao conjunto da atividade pública.
Para dar longevidade ao atual ciclo de crescimento é preciso garantir a estabilidade, especialmente a estabilidade de preços e seguir eliminando as travas que ainda inibem o dinamismo da nossa economia, facilitando a produção e estimulando a capacidade empreendedora de nosso povo, da grande empresa até os pequenos negócios locais, do agronegócio à agricultura familiar.
É portanto inadiável a implementação de um conjunto de medidas que modernize o sistema tributário orientado pelo princípio da simplificação e da racionalidade. O uso intensivo da tecnologia da informação deve estar a serviço de um sistema de progressiva eficiência e elevado respeito ao contribuinte.
Valorizar nosso parque industrial e ampliar sua força exportadora será meta permanente. A competitividade de nossa agricultura e da nossa pecuária, que faz do Brasil grande exportador de produtos de qualidade para todos os continentes, merecerá toda a nossa atenção. Nos setores mais produtivos, a internacionalização de nossas empresas já é uma realidade.
O apoio aos grandes exportadores não é incompatível com o incentivo, o desenvolvimento e o apoio à agricultura familiar e ao microempreendedor. As pequenas empresas são responsáveis pela maior parcela dos empregos permanentes em nosso País. Merecerão políticas tributárias e de crédito perenes.
Valorizar o desenvolvimento regional é outro imperativo de um País continental, sustentando a vibrante economia do Nordeste, preservando, desenvolvendo, respeitando a biodiversidade da Amazônia no Norte, dando condições dando condições à extraordinária produção agrícola do Centro-Oeste, a força industrial do Sudeste e a pujança e o espírito de pioneirismo do Sul.
É preciso, antes de tudo, criar condições reais e efetivas capazes de aproveitar e potencializar ainda mais e melhor a imensa energia criativa e produtiva do povo brasileiro.
No plano social, a inclusão só será plenamente alcançada com a universalização e a qualificação dos serviços essenciais. Esse é um passo decisivo e irrevogável para consolidar e ampliar as grandes conquistas obtidas pela nossa população, no período do governo do presidente Lula. É, portanto, tarefa indispensável uma ação renovadora efetiva e integrada dos governos federal, estaduais e municipais, em particular nas áreas de saúde, da educação e da segurança, o que é vontade expressa das famílias e da população brasileira.
Queridos brasileiros e brasileiras, a luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos.
Uma expressiva mobilidade social ocorreu nos dois mandatos do presidente Lula, mas ainda existe pobreza a envergonhar nosso País e a impedir nossa afirmação plena como povo desenvolvido. Não vou descansar enquanto houver brasileiro sem alimento na mesa. O congraçamento das famílias se dá no alimento, na paz e na alegria. É este o sonho que vou perseguir.
Essa não é tarefa isolada de um governo, mas um compromisso a ser abraçado por toda a nossa sociedade. Para isso peço com humildade o apoio das instituições públicas e privadas, de todos os partidos, das entidades empresariais e dos trabalhadores, das universidades, da juventude, de toda a imprensa e das pessoas de bem.
A superação da miséria exige prioridade na sustentação de um longo ciclo de crescimento. É com crescimento que serão gerados os empregos necessários para as atuais e as novas gerações. É com crescimento, associado a fortes programas sociais, que venceremos a desigualdade de renda e de desenvolvimento regional. Isso significa, reitero, manter a estabilidade econômica como valor.
Já faz parte, aliás, da nossa cultura recente a convicção de que a inflação desorganiza a economia e degrada a renda do trabalhador. Não permitiremos, sob nenhuma hipótese, que essa praga volte a corroer nosso tecido econômico e a castigar as famílias mais pobres. Continuaremos fortalecendo nossas reservas externas para garantir o equilíbrio das contas externas e bloquear, impedir a vulnerabilidade externa.
Atuaremos decididamente, nos fóruns multilaterais, na defesa de políticas econômicas saudáveis e equilibradas, protegendo o País da concorrência desleal e do fluxo indiscriminado de capitais especulativos. Não faremos a menor concessão ao protecionismo dos países ricos, que sufoca qualquer possibilidade de superação da pobreza de tantas nações pela via do esforço de produção.
Faremos um trabalho permanente e continuado para melhorar a qualidade do gasto público. O Brasil optou, ao longo de sua história, por construir um Estado provedor de serviços básicos e de previdência social pública. Isso significa custos elevados para toda a sociedade, mas significa também a garantia do alento da aposentadoria para todos e serviços de saúde e de educação universais. Portanto, a melhoria dos serviços públicos é também um imperativo de qualificação dos gastos governamentais.
Outro fator importante da qualidade da despesa é o aumento dos níveis de investimento em relação aos gastos de custeio. O investimento público é essencial como indutor do investimento privado e como instrumento de desenvolvimento regional.
Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento e do Programa Minha Casa, Minha Vida, manteremos o investimento sob estrito e cuidadoso acompanhamento da Presidência da República e dos Ministérios. O PAC continuará sendo um instrumento de coesão da ação governamental e coordenação voluntária dos investimentos estruturais dos Estados e municípios; será também vetor de incentivo ao investimento privado, valorizando todas as iniciativas de constituição de fundos privados de longo prazo.
Por sua vez, os investimentos previstos para a Copa do Mundo e para as Olimpíadas serão concebidos de maneira a dar ganhos permanentes de qualidade de vida em todas as regiões envolvidas.
Esse princípio vai reger também nossa política de transporte aéreo. É preciso, sem dúvida, melhorar e ampliar nossos aeroportos para a Copa e as Olimpíadas, mas é mais que necessário melhorá-los já, para arcar com o crescente uso desse meio de transporte por parcelas cada vez mais amplas da população brasileira.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, junto com a erradicação da miséria, será prioridade do meu governo a luta pela qualidade da educação, da saúde e da segurança.
Nas últimas décadas, o Brasil universalizou o ensino fundamental, porém é preciso melhorar a sua qualidade e aumentar as vagas no ensino infantil e no ensino médio. Para isso, vamos ajudar decididamente os municípios a ampliar a oferta de creches e de pré-escolas. No ensino médio, além do aumento do investimento público, vamos estender a vitoriosa experiência do ProUni para o ensino médio e profissionalizante, acelerando a oferta de milhares de vagas para que nossos jovens recebam uma formação educacional e profissional de qualidade.
Mas só existirá ensino de qualidade se o professor e a professora forem tratados como as verdadeiras autoridades da educação, com formação continuada, remuneração adequada e sólido compromisso dos professores e da sociedade com a educação das crianças e dos jovens. Somente com o avanço na qualidade do ensino poderemos formar jovens preparados, de fato, para nos conduzir à sociedade da tecnologia e do conhecimento.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, consolidar o Sistema Único de Saúde será outra grande prioridade do meu governo. Para isso, vou acompanhar pessoalmente o desenvolvimento desse setor tão essencial para o povo brasileiro. O SUS deve ter como meta a solução real do problema que atinge a pessoa que o procura com o uso de todos os instrumentos de diagnóstico e tratamento disponíveis, tornando os medicamentos acessíveis a todos, além de fortalecer as políticas de prevenção e promoção da saúde.
Vou usar, sim, a força do governo federal para acompanhar a qualidade do serviço prestado e o respeito ao usuário. Vamos estabelecer parcerias com o setor privado na área da saúde, assegurando a reciprocidade quando da utilização dos serviços do SUS. A formação e a presença de profissionais de saúde, adequadamente distribuídos, em todas as regiões do País será outra meta essencial ao bom funcionamento do sistema.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, a ação integrada de todos os níveis do governo e a participação da sociedade são o caminho para a redução da violência que constrange a sociedade e as famílias brasileiras.
Meu governo fará um trabalho permanente para garantir a presença do Estado em todas as regiões mais sensíveis à ação da criminalidade e das drogas em forte parceria com Estados e municípios.
O Estado do Rio de Janeiro mostrou o quanto é importante, na solução dos conflitos, a ação coordenada das forças de segurança dos três níveis de Governo, incluindo, quando necessário, a participação decisiva das Forças Armadas.
O êxito dessa experiência deve nos estimular a unir as forças de segurança no combate, sem tréguas, ao crime organizado, que sofistica a cada dia seu poder de fogo e suas técnicas de aliciamento dos jovens. Buscaremos, também, uma maior capacitação federal na área de inteligência e no controle das fronteiras, com uso de modernas tecnologias e treinamento profissional permanente. Reitero meu compromisso de agir no combate às drogas, em especial ao avanço do crack, que desintegra a nossa juventude e infelicita as nossas famílias.
O pré-sal é nosso passaporte para o futuro, mas só o será plenamente, queridas brasileiras e queridos brasileiros, se produzir uma síntese equilibrada de avanço tecnológico, avanço social e cuidado ambiental. A sua própria descoberta é resultado do avanço tecnológico brasileiro e de uma moderna política de investimentos em pesquisa e inovação. Seu desenvolvimento será fator de valorização da empresa nacional e seus investimentos serão geradores de milhares de novos empregos.
O grande agente dessa política foi e é a Petrobras, símbolo histórico da soberania brasileira na produção energética e do petróleo. O meu governo terá a responsabilidade de transformar a enorme riqueza obtida no pré-sal em poupança de longo prazo, capaz de fornecer às atuais e às futuras gerações a melhor parcela dessa riqueza, transformada, ao longo do tempo, em investimentos efetivos na qualidade dos serviços públicos, na redução da pobreza e na valorização do meio ambiente. Recusaremos o gasto apressado, que reserva às futuras gerações apenas as dívidas e a desesperança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, muita coisa melhorou no nosso País, mas estamos vivendo apenas o início de uma nova era, o despertar de um novo Brasil. Recorro a um poeta da minha terra natal. Ele diz: "O que tem de ser tem muita força, tem uma força enorme".
Pela primeira vez, o Brasil se vê diante da oportunidade real de se tornar, de ser uma nação desenvolvida, uma nação com a marca inerente também da cultura e do estilo brasileiro: o amor, a generosidade, a criatividade e a tolerância. Uma nação em que a preservação das reservas naturais e das suas imensas florestas, associada à rica biodiversidade e à matriz energética mais limpa do mundo permitem um projeto inédito de país desenvolvido com forte componente ambiental.
O mundo vive um ritmo cada vez mais acelerado de revolução tecnológica. Ela se processa tanto na decifração de códigos desvendadores da vida quanto na explosão da comunicação e da informática. Temos avançado na pesquisa e na tecnologia, mas precisamos avançar muito mais.
Meu governo apoiará fortemente o desenvolvimento científico e tecnológico para o domínio do conhecimento e para a inovação como instrumento fundamental de produtividade e competitividade do nosso País.
Mas o caminho para uma nação desenvolvida não está somente no campo econômico ou no campo do desenvolvimento econômico pura e simplesmente, e pressupõe o avanço social e a valorização da nossa imensa diversidade cultural. A cultura é a alma de um povo, essência de sua identidade.
Vamos investir em cultura, ampliando a produção e o consumo em todas as regiões de nossos bens culturais, e expandir uma exportação de nossa música, cinema e literatura, signos vivos de nossa presença no mundo. Em suma, temos que combater a miséria, que é a forma mais trágica de atraso, e, ao mesmo tempo, avançar, investindo fortemente nas áreas mais modernas e sofisticadas da invenção tecnológica, da criação intelectual e da produção artística e cultural. Justiça social, moralidade, conhecimento, invenção e criatividade devem ser mais que nunca conceitos vivos no dia a dia da nossa nação.
Queridas e queridos brasileiros e brasileiras, considero uma missão sagrada do Brasil a de mostrar ao mundo que é possível um País crescer aceleradamente sem destruir o meio ambiente.
Fomos e seremos os campeões mundiais de energia limpa, um País que sempre saberá crescer de forma saudável e equilibrada. O etanol, as fontes de energias hídricas terão um grande incentivo, assim como as fontes alternativas: a biomassa, as eólica e solar. O Brasil continuará também priorizando a preservação das reservas naturais e de suas imensas florestas.
Nossa política ambiental favorecerá nossa ação nos fóruns multilaterais, mas o Brasil não condicionará sua ação ambiental ao sucesso e ao cumprimento, por terceiros, de acordos internacionais. Defender o equilíbrio ambiental do planeta é um dos nossos compromissos nacionais mais universais.
Meus queridos brasileiros e brasileiras, nossa política externa estará baseada nos valores clássicos da tradição diplomática brasileira, promoção da paz, respeito ao princípio de não-intervenção, defesa dos direitos humanos e fortalecimento do multilateralismo.
O meu governo continuará engajado na luta contra a fome e a miséria no mundo. Seguiremos aprofundando o relacionamento com nossos vizinhos sul-americanos, com nossos irmãos da América Latina e do Caribe, com nossos irmãos africanos e com os povos do Oriente Médio e dos países asiáticos. Preservaremos e aprofundaremos o relacionamento com os Estados Unidos e com a União Europeia. Vamos dar grande atenção aos países emergentes.
O Brasil reitera com veemência e firmeza a decisão de associar seu desenvolvimento econômico, social e político ao nosso continente. Podemos transformar nossa região em componente essencial do mundo multipolar que se anuncia, dando consistência cada vez maior ao Mercosul à Unasul.
Vamos contribuir para a estabilidade financeira internacional com uma intervenção qualificada nos fóruns multilaterais. Nossa tradição de defesa da paz não nos permite qualquer indiferença, frente à existência de enormes arsenais atômicos, à proliferação nuclear, ao terrorismo e ao crime organizado transnacional. Nossa ação política externa continuará propugnando pela reforma dos organismos de governança mundial, em especial às Nações Unidas e seu Conselho de Segurança.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, disse, ao início desse discurso, que governarei para todos os brasileiros e brasileiras e vou fazê-lo.
Mas, é importante lembrar que o destino de um País não se resume à ação de seu governo. Ele é o resultado do trabalho e da ação transformadora de todos os brasileiros e brasileiras. O Brasil do futuro será exatamente do tamanho daquilo que juntos fizermos por ele hoje, do tamanho da participação de todos e de cada um, dos movimentos sociais, dos que labutam no campo, dos profissionais liberais, dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores, dos intelectuais, dos servidores públicos, dos empresários, das mulheres, dos negros, dos índios, dos jovens, de todos aqueles que lutam para superar distintas formas de discriminação.
Quero estar ao lado do que trabalham pelo bem do Brasil na solidão amazônica, no semi-árido nordestino e em todos os seus rincões, na imensidão do cerrado, na vastidão dos pampas.
Quero estar ao lado dos que vivem nos aglomerados metropolitanos, na vastidão das florestas, no interior ou no litoral, nas capitais e nas fronteiras do Brasil.
Quero convocar todos a participar do esforço de transformação do nosso País. Respeitada a autonomia dos Poderes e o Princípio Federativo, quero contar com o Legislativo e o Judiciário e com a parceria de governadores e prefeitos, para continuarmos desenvolvendo nosso País, aperfeiçoando nossas instituições e fortalecendo nossa democracia.
Reafirmo meu compromisso inegociável com a garantia plena das liberdades individuais, da liberdade de culto e de religião, da liberdade de imprensa e de opinião.
Reafirmo o que disse, ao longo da campanha, que prefiro o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras. Quem como eu e tantos outros da minha geração lutamos contra o arbítrio, a censura e a ditadura, somos naturalmente amantes da mais plena democracia e da defesa intransigente dos direitos humanos no nosso País e como bandeira sagrada de todos os povos.
O ser humano não é só realização prática, mas sonho; não é só cautela racional, mas coragem, invenção e ousadia. E esses são os elementos fundamentais para a afirmação coletiva da nossa nação.
Eu e meu vice-Presidente, Michel Temer, formos eleitos por uma ampla coligação partidária. Estamos construindo com eles um governo, onde capacidade profissional, liderança, e a disposição de servir ao País serão os critérios fundamentais.
Mais uma vez, estendo minha mão aos partidos de oposição e às parcelas da sociedade que não estiveram conosco na recente jornada eleitoral. Não haverá de minha parte e do meu governo discriminação, privilégios ou compadrinho.
A partir deste momento, sou a presidente de todos os brasileiros, sob a égide dos valores republicanos. Serei rígida na defesa do interesse público, não haverá compromisso com o desvio e o mal feito, a corrupção será combatida permanentemente e os órgãos de controle e investigação terão todo o meu respaldo para atuarem com firmeza e autonomia.
Queridas brasileiras e queridos brasileiros, chegamos ao final deste longo discurso. Queria dizer a vocês que eu dediquei toda a minha vida à causa do Brasil: entreguei, como muitos aqui presentes, minha juventude ao sonho de um País justo e democrático; suportei as adversidades mais extremas, infligidas a todos que ousamos enfrentar o arbítrio. Não tenho qualquer arrependimento, tão pouco não tenho ressentimento ou rancor.
Muitos da minha geração que tombaram pelo caminho não podem compartilhar a alegria deste momento. Divido com eles esta conquista e rendo-lhes minha homenagem.
Esta, às vezes, dura caminhada, me fez valorizar e amar muito mais a vida e me deu, sobretudo, coragem para enfrentar desafios ainda maiores. Recorro, mais uma vez, ao poeta da minha terra: "O correr da vida - diz ele - embrulha tudo. A vida é assim: esquenta, esfria, aperta e, daí, afrouxa; sossega e, depois, desinquieta, o que ela quer da gente é coragem".
É com essa coragem que vou governar o Brasil, mas, mulher não é só coragem, é carinho também, carinho que dedico a minha filha e ao meu neto, carinho com que abraço a minha mãe, que me acompanha e me abençoa. É com esse imenso carinho que quero cuidar do meu povo e, a ele, dedicar os próximos anos da minha vida. Que Deus abençoe o Brasil! Que Deus abençoe a todos nós! E que tenhamos paz no mundo!