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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Eliana Tranchesi : Determinação, Luxo, Polêmica e Morte


 "Como é importante a gente dar valor e aproveitar as pequenas alegrias do dia a dia! Elas não voltam e o que importa é ser feliz, é aproveitar cada dia."
 Eliana Tranchesi

 





A empresária Eliana Tranchesi, 56 anos faleceu na às 0h20 desta sexta-feira ,24  no Hospital Albert Einstein, em São Paulo,onde estava internada para  tratamento de um câncer no pulmão contra o qual lutava há seis anos.A empresária,  comandou por muitos anos a  Daslu - butique multimarcas que abrigou  as grifes mais luxuosas do mundo em um portentoso prédio neoclássico na Marginal Pinheiros, em São Paulo .

O afeto da mãe Eliana Tranchesi no querido Dinho, como ela chamava o filho Bernardino
Eliana Tranchesi, com os três filhos, Bernardino, Luciana e Marcella Tranchesi  durante a comemoração do seu aniversário. 
Os filhos amorosos nunca deixaram a data passar em branco.
 Eliana Tranchesi enxuga as lágrimas da filha.
O pai, Bernardino Tranchesi, se emociona


O corpo da empresária Eliana Tranchesi, ex-dona da luxuosa Daslu, foi velado em uma sala do Hospital Albert Einstein até as 12 horas,no Morumbi, zona oeste de São Paulo. De onde foi levado ao Cemitério do Morumby, com sepultamento previsto para  14 horas. No final da manhã, o hospital divulgou nota sobre o falecimento de Eliana. De acordo com o médico Sérgio Simon, responsável pelo caso, a empresária morreu em decorrência de um câncer pulmonar complicado por pneumonia.   
Eliana Tranchesi dirigiu o maior conglomerado de luxo do país, com 20.000 metros quadrados e estilo neoclássico,ícone do consumo no país,  fundado por sua mãe Lucia Piva,há 53 anos.Tranchesi ,herdou a butique de luxo após a morte de Lucia, em 1983, e mostrou talento para os negócios. Com a liberação das importações em 1990, durante o governo Collor, a empresária provocou uma revolução na loja, atraindo grifes internacionais e transformando a Daslu na principal referência de requinte e sofisticação no Brasil. Em 2005, Eliane Tranchesi inaugura uma enorme loja na Marginal Pinheiros, em São Paulo. um verdadeiro templo de luxo ,abrigando mais de 60 grifes internacionais - um shopping center para uma clientela sem problemas financeiros e para os observadores e amantes da moda e do luxo de plantão.
As duas lojas das Daslu, no Shopping Cidade Jardim, em São Paulo, e no Fashion Mall, no Rio de Janeiro, estarão fechadas nesta sexta-feira em sinal de luto.
ADaslu divulgou a seguinte  nota de pesar.
“A Daslu é um reflexo do trabalho que Eliana dispensou à marca ao longo da vida. O legado que ela deixa é o de absoluta dedicação ao trabalho”, diz o informe. “A marca continuará o seu trabalho sempre movida pela lembrança de sua garra e seus sonhos.”
Matheus Mazzafera,stylist e jet setter  lastimou a morte de Eliana Tranchesi, através do twitter
" Uma das mulheres mais incríveis que conheci, guerreira e doce, se foi hoje! RIP Eliana Tranchesi."
Eliana deixa três filhos, Bernardino, Luciana e Marcella Tranchesi, frutos do casamento dela com o cardiologista Bernardino Tranchesi, com quem viveu  por 19 anos. Os filhos seguiram a profissão da mãe e juntos comandam a grife 284, dirigida ao público jovem. O número é uma referência ao primeiro endereço da Daslu, na Rua Domingos Leme, em São Paulo.
A empresária esteve nas manchetes policiais e  foi presa  por suposto envolvimento em importações fraudulentas e irregulares de produtos de luxo. Julgada em março de 2009, a empresária foi condenada a 94 anos e seis meses de prisão pelos crimes de formação de quadrilha, fraude em importações e falsificação de documentos. Tranchesi chegou a ficar 2 dias presa, mas foi solta por um habeas corpus.

Mais informações sobre o caso no blog
Que Roupa Vestirei: Eliana Tranchesi e a 'Operação Narciso' 

http://queroupavestirei.blogspot.com/2012/02/eliana-tranchesi-e-operacao-narciso.html
Contrariando a butique de luxo, Daslu, as prostitutas  da ONG Davida, do Rio de Janeiro, criam no final de 2005 a Daspu. A grife se tornou conhecida ao entrar numa polêmica com a Daslu, um dos maiores centros de comércio de luxo do país.
No embate, a butique de luxo queria que a Daspu mudasse de nome. Segundo a Daslu, havia "deboche, visando denegrir a imagem da loja". Após a polêmica, os advogados da Daslu decidiram não ir à Justiça, e a grife manteve a marca.
Os desfiles da Daspu também foram comentados pela mídia por suas modelos serem, na maioria das vezes, as próprias prostitutas que compõem a ONG Davida. 

Preta Gil na primeira fila do desfile da Daspu na novela Caminho das Índias

Eliana Tranchesi e a 'Operação Narciso'


Eliana Tranchesi, dona da Daslu,butique de luxo na zona sul da capital paulistada , esteve presa no dia 26 de março de 2009( quinta-feira ) numa penitenciária feminina na Zona Norte de São Paulo, ficou no primeiro dia em uma cela comum na ala do presídio, para onde são levadas as detentas recém chegadas. A cela, de 9 m², tinha cama, chuveiro elétrico, vaso sanitário, pia e uma prateleira.Eliana vestiu o uniforme obrigatório: camiseta branca e calça amarela. Almoçou arroz, feijão e frango e rezou com as presas. No dia seguinte, foi levada para a enfermaria da penitenciária.Lá, recebeu a visita de dois enfermeiros. Um coletou uma amostra do sangue dela e o outro aplicou uma injeção com o medicamento que a empresária tinha de tomar diariamente.
Eliana lutava contra um câncer de pulmão. A doença se espalhou, atingindo também a coluna. “Ela estava em pleno tratamento quimioterápico”, segundo contou a advogada Joyce Roysen. Na sexta-feira,27 graças a um habeas corpus, a empresária saiu da cadeia. Ela e os outros seis condenados recorreram em liberdade. 

 Eliana Tranchesi deixando a penitenciária na Zona Norte de São Paulo
Segundo a Justiça, a dona da Daslu, comandou o mais luxuoso empreendimento de moda do Brasil e também um esquema internacional de fraude e sonegação. Nas palavras da juíza Maria Isabel do Prado, da 2ª Vara Criminal de Guarulhos, na Grande São Paulo, “um gigantesco e bilionário programa delinquencial”.


Sentença Injusta ou Formação de Quadrilha

A sentença de mais de 500 páginas contra a empresária, divulgada na quinta-feira, fala em: “A cobiça em busca de acumulação de riqueza proveniente de meios ilícitos”. A pena surpreendeu pelo rigor: 94 anos e meio de prisão para Eliana Tranchesi e também para seu irmão e sócio, Antonio Carlos Piva de Albuquerque. Outros cinco acusados também foram condenados.
A história de Tranchesi lembra a da socialite, empresária e apresentadora de TV americana Martha Stewart, condenada em 2004 por uso de informação privilegiada no mercado de ações. Ela ficou cinco meses na cadeia e cinco meses em prisão domiciliar. No caso brasileiro, os crimes listados na sentença são: importação fraudulenta, falsificação de documentos e formação de quadrilha.
“A juíza entendeu, inclusive pela existência de uma organização criminosa, que é mais do que uma quadrilha”, afirmou o procurador da República Matheus Baraldi Magnani.
Na decisão da juíza da 2ª Vara Criminal de Guarulhos, Eliana aparece ao lado do irmão como "chefe da organização criminosa". “Nós temos absoluta convicção de que se trata de uma sentença injusta”, afirmou a advogada de defesa Joyce Roysen.

Sobre o Esquema

A sentença descreve como funcionava o esquema, descoberto pela Operação Narciso, da Polícia Federal, em 2005. A compra de mercadorias no exterior era feita por empresas importadoras de fachada.
“Essas empresas orbitavam ao redor da Daslu. Elas existiam justamente para retirar o nome dos proprietários da butique Daslu dos holofotes”, apontou o procurador da República Matheus Baraldi Magnani.
Chegando ao Brasil, as notas fiscais verdadeiras eram substituídas por outras, falsas, com valores muito menores. “Começavam, então, a liberação das mercadorias na alfândega”, acrescentou o procurador.
Em seguida, os impostos eram pagos sobre o preço adulterado, bem abaixo do original. A Daslu, então, comprava as peças por um valor muito baixo. “Nós conseguimos um mar de provas”, disse Magnani.
O esquema funcionava da seguinte forma: uma nota fiscal fraudulenta, de maio de 2003, diz que uma bolsa 100% couro de cobra, de uma sofisticada marca italiana, custava na época US$ 9,50, o equivalente atualmente a R$ 21. Ao verificar na página da loja italiana na internet, uma bolsa do mesmo material é vendida lá fora, em valores atuais, por R$ 3,9 mil (R$ 8.938).
A investigação também apontou que outra famosa marca italiana vendia na época bolsas por cerca de US$ 300, mas quando esse tipo de mercadoria chegava ao Brasil era declarado por um décimo do valor original. Sapatos de couro legítimo da mesma grife, que atualmente são vendidos no site estrangeiro por US$ 595 (R$ 1,3 mil), apareciam na nota fiscal como se tivessem custado apenas US$ 4, ou seja, R$ 9 em valores de hoje. A defesa alega que a Daslu não comprava diretamente no exterior e que a responsabilidade era das importadoras.
“O que fizemos? Contatamos diretamente as empresas norte-americanas que vendiam para a Daslu e perguntamos diretamente a elas: ‘Para quem é que vocês vendem?’. Eles disseram: ‘Vendemos diretamente para a Daslu’ e mandaram cópias dessas faturas”, contou o procurador.

Contestando a Intenção

Para a advogada de Tranchesi, a cliente agiu sem intenção. “Ela pode ter, em algum momento, talvez não agido ou ter deixado de recolher, não intencionalmente algum tributo”, alegou Joyce Roysen.Somando impostos, multas e juros, a Justiça diz que a Daslu deve aos cofres públicos R$ 1 bilhão. Os representantes da empresa contestam esse valor, mas afirmam que já começaram a pagar as dívidas.
“Boa parte dessas multas foram parceladas. Algumas delas ainda estão sendo objeto de recurso administrativo”, disse Roysen.
Mas para o procurador Magnani, após a Operação Narciso, a Daslu teria permanecido cometendo o crime. “Uma importação fraudulenta, feita nos mesmos moldes, foi descoberta em Santa Catarina. E foi justamente um dos argumentos que justificaram a prisão”, afirmou referindo-se a decisão da justiça de Guarulhos.

Fonte de informações : Fantástico