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terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

Caetano Veloso Constrói Cenário para a Defesa de Marcelo Freixo

O cantor e compositor Caetano Veloso, reflete sobre as ideologias da Moda e os interesses do jornal O Globo em tentar vincular o nome de Marcelo Freixo com a morte do cinegrafista da Band, Santiago Andrade. Caetano, escreve aos domingos para o jornal.

Freixo outra vez


Gosto de Freixo não porque ele é do PSOL. Acho que gosto um tanto do PSOL por ele abrigar Freixo. Sou independente, conforme se vê. Ser estrela é bem fácil. Nada importam as piadas dos articulistas reacionários que classificam minhas posições como Radical Chic. Desprezo a tirada de Tom Wolfe desde o nascedouro. Antigamente tentavam me incluir na chamada esquerda festiva. Isso sim, embora incorreto, me agradava: a expressão brasileira é muito mais alegre, aberta e democrática do que a de Wolfe. Mas tenho vivido para desmontar o esquema que exige adesão automática às ideologias da moda. Deploro o resultado das revoluções comunistas. Todas. E, considerando o Terror que se seguiu a 1789, sou cético quanto a revoluções em geral. Na maioria das vezes, a violência se dá, não para fazer a história humana caminhar, mas para estancar seu fluxo. Olho com desconfiança os moços que entram em transe narcisista ao quebrar vidros crendo que desfazem a trama dos poderes. Ainda hoje não consigo adotar a posição que considera Eduardo Gianetti, um liberal crítico, ou André Lara Rezende, o homem que põe em discussão o crescimento permanente, conservadores. Nem acho que o conservadorismo seja necessariamente um mal. A adesão de alguns colegas meus à nova direita me deixa nauseado, não por ser à direita, mas por ser automática.
Simplesmente me pergunto qual exatamente será a intenção do GLOBO ao estampar manchetes e editoriais induzindo seus leitores a ligarem Marcelo Freixo aos rapazes que lançaram o rojão que matou Santiago Andrade. A matéria publicada no dia em que saiu a chamada de capa com o nome do deputado era uma não notícia. Nela, a mãe de Fábio Raposo, o rapaz que entregou o foguete a Caio Souza, é citada dizendo acreditar que o filho “tem algum tipo de ligação com Freixo”. Isso em resposta a uma possível declaração do advogado Jonas Tadeu Nunes, que, por sua vez, partiu de uma suposta fala da ativista apelidada Sininho. O GLOBO diz que esta nega. Como então virou manchete a revelação da possível ligação entre o deputado e os rapazes envolvidos no trágico episódio? Eu esperaria mais seriedade no trato de assunto tão grave.
Li o artigo do grande Jânio de Freitas em que ele defende a tese de intenção deliberada de assassinar um jornalista, o que está em desacordo com as imagens exibidas na GloboNews. Sem falar na entrevista do fotógrafo, que afirma que o detonador do artefato tinha mirado os policiais. Claro que me lembrei, ao ver a primeira reportagem na GloboNews, dos carros de emissoras de TV incendiados durante as manifestações, o que me levou a participar da indignação dos âncoras do noticioso. Um vínculo simbólico entre aquelas demonstrações de antipatia e o ocorrido em frente à Central é óbvio: um rojão sai das mãos de um manifestante e atinge a cabeça de um jornalista. Mas parece-me abusivo ver nisso o propósito de matar o repórter. Nas matérias que se seguiram, O GLOBO, ecoando falas do advogado Jonas Tadeu, que diz não ser pago por ninguém para defender os dois réus mas conta que um deles diz receber dinheiro para ir às manifestações, insiste em lançar suspeita sobre Freixo, por ser o PSOL, seu partido, um possível doador do alegado dinheiro. Na verdade, as declarações do advogado, mesmo nas páginas do GLOBO, soam inconvincentes. O mesmo Jânio de Freitas, em artigo posterior àquele em que defende a tese de assassinato deliberado, se mostra desconfortável com o comportamento de Jonas Tadeu. Já O GLOBO, no qual detecto uma sinistra euforia por poder atacar um político que aparentemente ameaça interesses não explicitados, trata as falas de Tadeu sem crítica. Uma das manchetes se refere a vereadores do PSOL que teriam contribuído para uma ação na Cinelândia, na véspera de Natal, sugerindo ligação do partido com vândalos, quando se tratava de caridade com moradores de rua. O tom usado no GLOBO é, para mim, de profundo desrespeito pela morte de Santiago.
Freixo, em fala firme ao jornal, desmente qualquer ligação com os dois rapazes. Ele também lembra (assim como faz Jânio) que Jonas Tadeu representou o miliciano Natalino.
Quando Freixo era candidato a prefeito, escrevi artigo elogioso sobre ele. O jornal fez uma chamada de capa que, a meu ver, desqualificava meu texto. Manifestei minha indignação. A pessoa do jornal que dialogava comigo me assegurou não ter havido pressão dos chefes. Acreditei. Agora não posso deixar de me sentir mal ao ver a agressividade do jornal contra o deputado. Tudo — incluindo os artigos de autores por quem tenho respeito e carinho — me é grandemente estranho e faço absoluta questão de dividir essa estranheza com quem me lê.
Caetano Veloso

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/freixo-outra-vez-11616610#ixzz2tgRtLixp 

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Papa Francisco e a Fé Que Move Multidões


A repórter da globo ao narrar o desfile do Papa Francisco pelo centro do Rio, se diz emocionada ao ver o papa tocando a cabeça de crianças, como se isso fosse algo inusitado e surpreendente. Me comovo, ao ver esta enorme multidão de seguidores na busca da esperança por dias melhores e da cura das suas aflições, personificada na figura do Papa Francisco.
Que bom seria se Francisco durante seu discurso para os fiéis seguidores e para a juventude, alertasse o povo sobre a importância de concentrarem esforços na luta diária e coletiva no combate a todo o tipo de violência contra os direitos humanos e relembrasse a luta do maior líder religioso que o mundo já teve, Jesus Cristo morreu lutando contra o despotismo, a corrupção e a desigualdade. 
Estamos vivendo um momento delicado na Política Nacional,onde muitos sentem os direitos sendo violados, protestam e caminham em busca de um norte ou direção.Se as pessoas com formação educacional já não sabem em confiar a direção do leme, fico imaginando o quanto confusos estão os que não tiveram oportunidade de estudar.
Quero crer que o Papa Francisco irá falar para a multidão(que mais parece um formigueiro), da importância de lutarmos pacificamente pelo direito de uma infância feliz, não somente para essas criancinhas que ele tocou a cabeça, mas principalmente  para os que não puderam estar ali, por estarem abaixo da linha da pobreza, comendo dejetos e dormindo ao relento.

Abaixo um pouco de reflexão através da bela composição de Gilberto Gil "Se eu quiser falar com Deus" na voz do autor, finalizo com uma capela na voz da maior intérprete brasileira, Elis Regina.


SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração
Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar

sábado, 24 de março de 2012

Chico Anysio - O Maestro do Humor No Palco Iluminado


"Os refletores do céu foram ligados...o show de Chico Anysio estava para começar. 
A plateia? Os anjos aplaudindo em pé' "
 Malga Di Paula

O Brasil perde um dos seus maiores artistas, o ator, escritor, pintor e humorista cearense Chico Anysio, morto  aos 80 anos na sexta-feira, 23 de março. O humorista não resistiu a uma parada cardiorespiratória. "O falecimento ocorreu por conta de falência múltipla dos órgãos decorrente de choque séptico causado por infecção pulmonar", diz o comunicado enviado pela assessoria de imprensa do hospital. no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro .Em 2002, durante entrevista o mestre do humor fino e aguçado ,afirmou " Não tenho medo de morrer,tenho pena ". Na verdade, todos nós brasileiros também temíamos, por sabermos do quanto era rica sua contribuição na dramaturgia do humor. Observar os personagens criados e interpretados pelo Chico é adentrar na rica história da cultura brasileira. As faces dos personagens, nos fazia refletir sobre a política nacional, folclore, crendices e sobre os diversos tipos de preconceito. Por isso e muito mais, Chico Anysio diferenciava-se de muitos outros humoristas, onde humor sobrevive às custas de piadas paltadas no preconceito .
Caricatura de Chico Anysio,na "Escolinha do Professor Raimundo" por Ziraldo, publicada no livro "É Mentira, Chico?"
Hoje, o ator multimídia Chico Anysio recebe homenagem em todas as emissoras de TV. Mas, me chamou atenção a grande e bela homenagem feita pela rede Globo, através do Jornal Nacional.Sei que esta homenagem se estenderá ao longo da semana, em toda programação da emissora. Chico Anysio, sempre deu ibope e continuará dando, pelo artista empreendedor que foi , pela ousadia e pelo compromisso com a história de seu país. Como podíamos observar através de seus vários personagens, como era o caso de Salomé, onde a crítica política era ressaltada na fala da personagem.
A homenagem feita pela globo é mais que merecida, mas me incomoda um pouco, por saber da finalidade midiática e por saber que a referida homenagem será intensificada numa ação multiplicadora  durante a semana. Certa vez ...Chico citou "Vou morrer no Projac, depois de um diretor dizer: “Corta. Valeu, Chico”. Eu direi: “Que bom que valeu” e morro em seguida. Será bonito." Mas...esse desejo foi interrompido.Lembro-me bem, da tristeza e dor do Mestre Chico, quando a Rede Globo tirou do Ar a Escolinha do Professor Raimundo.Chico Anysio, foi proibido pela emissora de se despedir de seu público com o texto o qual tinha criado. Chico falou da tristeza e decepção para a jornalista Leila Cordeiro, em entrevista em 2008.

Vejam abaixo, o texto vetado pela Globo na íntegra e a decepção do Chico Anysio com a emissora.

"A direção da Rede Globo não me deixou dizer um texto na tarde em que exibiu a última Escolinha do Professor Raymundo. Não sei bem a razão. Talvez querendo que o público imaginasse que a saída do programa de que tanto o público gostava, era apenas para um período de férias.

Pensando bem, foi melhor. Talvez eu chorasse ao ler o texto que se segue e que deveria ter sido dito com a caracterização do velho mestre que lançou tanta gente importante.

O texto era o seguinte:

“A “Escolinha do Professor Raymundo” termina hoje a sua missão. Tendo sido estreada no dia 12 de maio de 1952, daqui a cinco meses, em maio de 2002, ela completaria 50 anos de permanência no ar. Mas não iremos até maio, porque hoje foi o seu dia final.

Neste meio século acreditamos que a “Escolinha” cumpriu um papel muito importante. Não somente como diversão para um público de todas as classes e idades, mas - conforme carta que eu recebi de um Ministro da Educação – fazendo crescer em 75% o número de matriculados nas escolas de alfabetização de adultos.

Outro ponto a favor, é que nesses 49 anos e 7 meses, a “Escolinha” não apenas divertiu, mas também ensinou pois nada ficou sem um esclareci-mento.

No mais, ficam ai os artistas que foram lançados por este programa tão simples e, para mim, tão importante, porque a “Escolinha do Professor Raymundo” lançou no mundo do humor figuras como Costinha, Zé Trindade, Ary Leite, Geraldo Alves, Mussum, Mauro Gonçalves (o Zaccaria), Zilda Car-doso (a Catifunda), Lug de Paula,(o “Seu Boneco”) André Lucas (o Puliça), Tom Cavalcante, Castrinho, Pedro Bismarck (o Nerso da Capitinga), Heloisa Perissé, Ingrid Guimarães... sem falar em gente importantíssima que já es-tava aposentada e que a Escolinha foi buscar para os fazer brilhar novamen-te, como Walter D’’Avila, Ivon Cury, Brandão Filho, Grande Othelo... sem que esqueçamos o trabalho dela para – vamos criar um termo – acimentar a posição de Cláudia Gimenez, Claudinha Rodrigues, André Mattos (o seu Fininho)... e, antes que eu me esqueça, dois nomes mais que foram lançados pela “Escolinha do Professor Raimundo”, lá no seu comecinho, em 1952: Antonio Carlos (o pai da Glória Pires) e Chico Anysio (o pai da Victoria, do Rodrigo, do Cícero, do Bruno, do Rico, do André, do Nizo, do Lug e do Duda).

Assim, em meu nome e em nome de todos que passaram por esses bancos, um agradecimento do coração ao professor Raymundo e ao público que tanto o apoiou. Se já nas últimas duas semanas este apoio decaiu, a pon-to da “Escolinha” ter que sair do ar, não tem importância, porque antes des-tes 21 dias, (dias em que a concorrência colocou no ar os melhores longas metragem que possuía) ele foi fidelíssimo por 49 anos e 4 meses. 600 meses. 600 meses de vitórias.
"


Escolinha do Professor Raimundo
CHICO ANYSIO - Justo Veríssimo
(casamento de pobre - anos 80)

"O que me levou a esta atividade 
foi o fato de gostar de contar histórias, 
pois antes de tudo, o que eu faço de melhor 
é exatamente contar uma história."

Chico Anysio, foi contador de histórias...criou mais de 200 personagens para retratá-las.
Para relembrar exponho aqui,alguns desses personagens:
 O humorista Chico Anysio interpreta o personagem Pantaleão
 O humorista Chico Anysio interpreta o personagem Bexiga

Professor Raimundo, fazendo o gesto que acompanha o bordão
 "E o salário, ó..."
 Chico Anysio interpretanto a personagem Salomé
 Chico Anysio interpreta o personagem Tavares

Chico Anysio interpreta o personagem Bento Carneiro
 Chico interpreta a personagem Salomé - Chico interpreta o personagem Gaspar                

 Chico Anysio interpretanto o personagem Urbulino

 Chico Anysio interpretando o personagem Popó 
 Chico Anysio  ao lado de Pascoal da Conceição como Kor
 Chico Anysio como Bozó - Chico Anysio interpreta o Silva
Chico Anysio como o personagem pastor Tim Tones, que fez sua estreia em 1984
 
"No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado."
Chico Anísio   
Nascimento / Falecimento
14/04/1931 / 23/03/2012 (80 anos)

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Mantas Brizolistas Para os Desabrigados da História e da Política


A História através dos Debates entre os presidenciáveis em 1989. Na cena Lula, Brizola , Covas, Maluf  e os que fugiram.  O direito de resposta de Brizola contra a Globo e ...saudades do Mestre!

Com meu pai, aprendi desde cedo  que a política faz parte da vida de todos nós.Com o mestre Leonel Brizola ,aprendi que a vida de todos nós, depende da ação política que optamos seguir .Orgulho-me de ter lutado,em dois momentos para a Campanha de Brizola para Presidente .Primeiro quando líder estudantil, no segundo momento como produtora do grande Ato Show Brizolar, já carregando minha Clara de 3 anos nos braços. Emocionada ouvi do velho e amado Brizola " Nunca deixe que essa mente privilegiada se oculte detrás da bela mulher, utilize-a a favor da educação e em prol  das que não tiveram as mesmas chances que você".As palavras do mestre, ficaram gravadas na minha memória , assim como nas velhas fitas cassetes do Ato Show que contou com a presença do Cavaleiro da Esperança, Luis Carlos Prestes e de muita gente boa .Brizola me abraçou com firmeza ,beijou minha testa e presenteou minha filha, com um mimo que guardo até hoje, como quem  guarda um pouco  do afeto, do carinho ,da história de um bravo Político  gaúcho e de Homem que sabia ser terno com a mesma intensidade e convicção.Com ele vi e aprendi. Como brizolista...como tal,abracei o grande mestre e guerreiro da política nacional emocionada !
Segui ampliando meus sonhos e  ações,como historiadora e educadora. Seguindo seus conselhos, dirigi o primeiro Albergue de Mulheres e Crianças em Situação de Violência do Nordeste, criei ações multiplicadoras.Minha experiência me fez receber o convite de Helena Greco para colaborar com a coordenadoria de Direitos Humanos e Cidadania da prefeitura de Belo Horizonte e com o Conselho Municipal da Mulher,na estruturação de um projeto semelhante. Com meus sonhos brizolistas segui viagem...trabalhei em muitas escolas, universidades, nas periferias do meu país e noutras nações. Pois quem é brizolista ,não encontra fronteiras, quando o sonho é a soma de esforços pela educação e por uma política mais digna e sem corrupção !
Saudades de você... Mestre Brizola !


"Lá, lá, lá, lá, lá, Brizola
 Lá, lá, lá, lá, lá, Brizola"

Direito de Resposta Brizola x Globo

"Cid Moreira, a voz do dono, a voz do Grande Irmão, a voz que surgiu do AI-5, voltou-se contra si mesma. Foi um daqueles momentos que servem como símbolos, como instantâneos da história. Cid Moreira falou, e falou e falou, contra Roberto Marinho. Foram três longos minutos, contra a Globo, no Jornal Nacional. O redator era Leonel Brizola, que ganhou direito de responder ao ataque que havia recebido do mesmo Jornal Nacional, que o chamou de senil. 
  Brizola apoiou Lula em 1989 contra o Collor

Primeiro Debate dos Presidenciáveis, em 17 de Julho de 1989 

As eleições de 1989 foram as primeiras desde 1960 em que os cidadãos brasileiros aptos a votar escolheram seu presidente da república. Por serem relativamente novos, os partidos políticos estavam pouco mobilizados e vinte e duas candidaturas à presidência foram lançadas. Essa quantidade expressiva de candidatos mantém o recorde de eleição presidencial com mais candidatos. Foi também a primeira eleição na qual uma mulher disputou o posto mais elevado da República -- Lívia Maria do Partido Nacionalista (PN).

Como nenhum candidato obteve a maioria absoluta dos votos válidos, isto é, excluídos os brancos e nulos, a eleição foi realizada em dois turnos, conforme a então nova lei previa. O primeiro foi realizado em 15 de novembro de 1989, data que marcava o centésimo aniversário da proclamação da República, e o segundo em 17 de dezembro do mesmo ano. Foram para o segundo turno os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, da coligação encabeçada pelo Partido dos Trabalhadores, e Fernando Collor de Mello, da coligação encabeçada pelo hoje extinto Partido da Reconstrução Nacional.

O nível de entusiasmo era grande, com artistas participando ativamente da campanha de Lula, cantando o hoje célebre jingle "Lula Lá" no horário reservado à propaganda eleitoral do candidato. Outros, como Marília Pêra, preferiram apoiar à candidatura de Fernando Collor de Mello e foram duramente criticados mais tarde, durante seu processo de impeachment.

Durante o segundo turno, um pool de emissoras (Rede Bandeirantes, Rede Globo, Rede Manchete e SBT) realizou dois debates entre os candidatos. Durante a edição do Jornal Nacional do dia seguinte ao segundo debate, foi apresentado um compacto editado de tal forma a fazer o telespectador crer que o candidato do PRN tivesse se saído melhor do que o do PT. Tal fato foi visto como uma ação de favoritismo político a Collor, que até então mantinha um relacionamento forte com Roberto Marinho, dono da Globo.

Muitos atribuem a vitória de Collor na eleição devido a este fato em específico. Mas também há outros que influenciaram o voto do eleitor, como a revelação que a campanha de Collor fez sobre a existência de uma filha que Lula teve fora do casamento. A ex-namorada de Lula participou da campanha de Collor, denunciando aos eleitores que Lula mandou-lhe fazer um aborto e que lhe tinha confessado que odiava negros. Há, entretanto, quem defenda que a simples "inexperiência" de Lula o fez perder a eleição.

Participaram do debate os seguintes candidatos: Aureliano Chaves (PFL), Paulo Maluf (PDS), Lula (PT), Brizola (PDT), Afonso Camargo (PTB), Ronaldo Caiado (PSD), Afif Domingos (PL), Mário Covas (PSDB), Roberto Freire (PCB). Collor (PRN) e Ulysses Guimarães (PMDB) não aceitaram participar.

Além dos âncoras Fernando Mitre, José Augusto Ribeiro e José Paulo de Andrade, outros jornalistas também participaram do debate: José Carlos Bardawil, André Singer, João Sampaio, Luiz Augusto Falcão, Mara Ziravello, Marcelo Bauer, Marco Damiani, Edison Brener e Alex Solnick.
Fonte: .YouTube