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segunda-feira, 27 de agosto de 2012

"Strange Fruit" a Metafórica Canção de Billie Holiday em Livro

: "Tenho que adaptar a melodia 
ao meu jeito de cantar " 
Billie Holiday

"Strange Fruit - Billie Holiday e a Biografia de Uma Canção", livro de David Margolick, lançado há 12 anos nos Estados Unidos,com estudo e análise sobre a canção Strange Fruit, uma das mais famosas do repertório de Billie Holiday,chega ao Brasil.“Strange fruit”,considerada por muitos críticos como a primeira canção de protesto contra o racismo, foi escrita numa época, em que as relações raciais nos EUA eram muito precárias. Billie Holiday, tinha apenas 23 anos quando cantou a música pela primeira vez no palco do Café Society, como um ato de coragem.A música trata de um tema tabu na época,o racismo  e descreve o horror dos linchamentos de negros por brancos americanos,nos Estados do sul do país.Além de agredidos ,os negros eram enforcados e os corpos dependurados  nas árvores, como frutos podres.Por isso,a canção chama-se  ‘strange fruit’ (fruta estranha).
Billie Holiday, morreu ao 44 anos e todas as vezes em que cantou a música, emocionou os ouvintes por sentí-la como uma  música de protesto. A diva do Jazz,continua tocando lindamente nossa alma, com sua voz desbravadora e cintilante na emoção!

Billie Holiday canta Strange Fruit  ao vivo em 1959


Strange Fruit, gravação original interpretada por Billie Holiday em 1939

Foto de Lawrence Beitler,tirada em 1930, que, serviu de inspiração para Abel Meeropol  escrever o poema Strange Fruit, que deu origem à canção.



Strange Fruit
tradução: de Carlos Rennó
“Árvores do Sul dão uma fruta estranha,
Folha ou raiz em sangue se banha,
Corpo negro balançando, lento,
Fruta pendendo de um galho ao vento, 
Cena pastoril do Sul celebrado,
A boca torta e o olho inchado,
Cheiro de magnólia chega e passa,
De repente o odor de carne em brasa,
Eis uma fruta para que o vento sugue,
Pra que um corvo puxe, pra que a chuva enrugue,
Pra que o sol resseque, pra que o chão degluta,
Eis uma estranha e amarga fruta”.


























STRANGE FRUIT
Autor: David Margolic
Tradução:José Rubens Siqueira
Editora: Cosac Naify
R$ 39,90 (144 págs.)

sábado, 23 de julho de 2011

Amy Winehouse Sem Asas Para Voar Nos Veste de Dor

 "Quando ele vai embora, o sol se põe. 
Ele leva o dia embora, mas sou crescidinha e do seu jeito, 
neste tom triste, as minhas lágrimas secam sozinhas."
 A cantora britânica durante apresentação na Arena Anhembi, em São Paulo,  no Summer Soul Festival
Custei a acreditar ao ler a notícia de morte de Amy Winehouse.Sempre que vejo pessoas cujo talento brota naturalmente,exterminarem a vertente da fonte que faz jorrar a vida, me dói a alma. Por isso, sai em busca de sites e  blogs que afirmassem " a notícia da morte da cantora Amy Winehouse é mais um falso boato espalhado através da mídia".
Mas, infelizmente a notícia é verdadeira  a cantora Amy Winehouse de apenas 27 anos,encerra de forma trágica sua última turnê nessa vida. Assim como Brian Jones, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison e Kurt Cobain, Amy é mais um exemplo que não deve ser seguido pela nova geração . Quem não aprecia até hoje, a obra musical dos nomes citados? Vivi minha adolescência e vida acadêmica alicersada na literatura, na poesia e na musicalidade.Achava-me às vezes uma estranha no ninho, pelas escolhas musicais. Minha alma plural viajava nos muitos estilos...blues, jazz,clássica, bossa-nova e MPB. Mas...lembro-me bem ,que meu coração pulsava fortemente sempre que ouvia a poderosa voz da Janis Joplin . Senti-me traída ao ouvir a notícia da sua morte. Hoje...mulher madura, mãe e educadora, sinto-me mais uma vez,traída pela catástase da Droga que arrastou mais uma vítima.A droga aniquila não somente os consumidores, mas todos os que de uma forma ou de outra, ficam privados da liberdade de ver, ouvir, sentir e vivenciar experiências boas.
A cantora britânica, já vinha lutando contra o mal,ou melhor,contra a vida,cada vez que drogava-se. As drogas e a bebida tranformou a Amy Winehouse numa figura anoréxica, de cabelos desalinhados e distante da Amy que nasceu estrela.Algumas turnês mundiais foram canceladas,após apresentações sob vaias ,como ocorreu na cambaleante performance na Sérvia no mês passado.
É real...é fato, mais uma estrêla se foi ,vítima da escolha equivocada.
Amy, poderia ter feito todas as experiências possíveis.Mas...somente com a "droga da voz"  que Deus lhe deu.
 Amy Winehouse ícone da moda e da música
A cantora britânica,com seu estilo de diva dos anos 50 e 60 foi comparada a  Brigitte Bardot pelo estilista  Karl Lagerfeld.Seu cabelo com volume no topo da cabeça, lembrava o de Marge Simpson e a maquiagem,os olhos delineados de forma exagerada e sua música pop/soul atraiu muitos seguidores, que agora lastimam o fim trágico da cantora.
Em outubro de 2010, a cantora assinou uma coleção em parceria com a marca britânica Fred Perry.Em março de 2011, chegaram às lojas da rede a segunda linha assinada pela cantora.
 





 

Amy Winehouse bebendo enquanto assistia ao show da banda The Libertines em Londres, em agosto de 2010 

Amy Winehouse em sua última apresentação, na Sérvia. 
Uma lástima, a talentosa Amy não consegue concluir a apresentação...fracassa ao cantar o sucesso  " Back to Black".
 Amy Winehouse...de olhos no céu !

domingo, 28 de novembro de 2010

Billie Holiday a Veste Que Ilumina


Escrever sempre me instigou, varar as madrugadas criando e construindo histórias, tornou-se parte comum dos meus dias O silêncio da madrugada, me conforta, me tranquiliza e é inspirador. É no ambiente silencioso, que as palavras saltam de mim e passam a delinear formas,percorrer caminhos de interação crescente , valseando no possível. 
Nesta madrugada, escrevi um conto de percurso inexplorado, até que sol despertou-me com os raios da manhã real.
Ele chega acarinhando-me com calor e evidenciando que é hora de " despertar para o sono". É isso...quando o sol desperta eu adormeço. Quem dera pudesse ser sempre assim.Mas, o mundo que trilhamos é movido pela interação da horas e não dos seres e das emoções.
Antes de desligar-me do mundo virtual, percorro trilhas e busco tatuar no percurso as minhas emoções,seja em forma de conto,poesia, frases soltas...sempre buscando a claridade, pra no final enxergar o que a vida me sorri.Como disse Abade Pierre  Um sorriso custa menos que a eletricidade, mas proporciona uma luz enorme" .Hoje em especial,desejei também...um bom café da manhã  e escrevi "sairei pra tomar meu café e ler meus jornais".O desacordo com o previsível aconteceu, vi uma mensagem do Carlos Tenreiro e tudo o mais girou em torno de uma só sinfonia Billie Billie ...Holly Billie, Holly Day.   
Carlos trouxe  musicalidade boa para minha madrugada, desembrulhou meus discos vinil , colocou Billie Holiday na vitrola e me levou pra ver a mais bela das constelações, que agora compartilho com vocês !
Billie Holiday "One for my Baby (and one more for the road)"Foi ontem, numa tarde de sol a pino por toda parte, que recebi o rosto de Billie. Ela veio inesperada, enrodilhada de um sagrado, olhando-me lá de dentro... ao mágico de meu olho sem palavras. Quando o sentido não era polido ainda, mas espanto de um sopro de palco, mesmo que lá dentro não se soubesse ainda que Billie se resguardava de acorde e profundidade, o silêncio era sinfonia requintada, toque de misteriosa arte. Da embalagem do leito onde Billie repousava seu rosto velado, o veludo noturno latejava sol como se os pensamentos de Billie atravessassem aquele espaço curto, num traçado inesgotável. Por fora se via a inscrição de Luz, cravada no lençol pardo de uma aurora anunciada. Sim, Luz, como um selo de uma rajada, guardião das atemporalidades, orixá dedilhado.

Quando entrei em seu leito circular, túnel de astro pulsar, eu a vi: Billie, com sua pele-mar, nas margens da noite, pincelada. Deixei que Billie se derramasse pelo dia em curso. Afoguei-me em seu traçado de verde-azul-mar. Náufrago, então lhe disse: - Sim, Billie, bebi tua face. E ela, com os olhos voltados para um mistério escuro, cantava um jazz profundo, um tom de luz num canto blues noturno-escarlate.
Então, disse-lhe baixinho: - Holly Billie, Holly Day. E Billie com seu blues, confessava-me: 
- Dear, ‘the blues are brewin’.
Billie cantava seus ais, enquanto a natureza em torno e em canto respirava-lhe: - Billie is blowing flowers in her black blossom eyes. E todo blues e jazz saia de seus lábios petalados em tom de luz, num bom de Louis, a invadir os descampados.
(Carlos A. F. Tenreiro)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Paulo Moura - Uma Despedida Musical



Hoje, 13 de Julho ,acordei cedinho, ouvindo o canto dos pássaros e sentindo o vento frio da manhã. Declinei-me sobre a janela do quarto, para observar a beleza do dia. As nuances do azul do céu , sob as rajadas do Sol.
Enquanto preparo o café da manhã, ligo a TV pra ver as notícias matutinas e meu coração passa a ritmar de forma acelerada.
É...morreu o mestre dos rítmos.Paulo Moura, partiu aos 77 anos, em decorrência de um linfoma. Mas, antes de seguir ,como numa celebração de passagem, tocou "Doce de Côco" de Jacob do Bandolim e Hermínio Bello de Carvalho , com o  parceiro Wagner Tiso, ao lado de sua mulher Halina ,do  filho e  alguns amigos.
O virtuoso arranjador ,Paulo Moura, seguirá  compondo e nós ficaremos aqui ,ouvindo as composições e arranjos maravilhosos que ele nos deixou, nos 40 discos que produziu.
O menino Paulo, apaixonou-se pela música desde cedo. Nasceu num ambiente musical, aos nove anos, já estudava música e aos quatorze, passou a fazer parte da banda do pai e a cantar em eventos religiosos.
Amante da música...tocava jazz, chorinho, clásssica e bossa nova .Seguia tocando com seu clarinete e sax ,as mais variadas trilhas musicais. Ao  lado de  firmou parcerias, que ficará pra sempre, como fontes semeadoras, de  bons frutos musicais.
O ganhador do Grammy era um dos saxofonistas e clarinetistas, mais requisitados em nosso país e no exterior. Era também, uma figura  agradável e de sorriso largo. Com ele,era fácil produzir,um belo espetáculo musical.

Valeu nossos encontros, movidos pela musicalidade do Jazz, os diálogos entrecortados com muita Bossa e a Clássica interferência das palavras, da doce e inteligente 
Agora...chorando baixinho , despeço-me do mestre !


 Paulo Moura e Arthur Moreira Lima - Chorando Baixinho 

     Paulo Moura com Maysa em 1975                                                    Foto: Agência Estado

sábado, 6 de março de 2010

Johnny Alf MisturandoTons, AlterandoSons...Desfilando Bossa !


Johnny Alf, músico e compositor , no Sesc Vila Mariana. São Paulo- 2009

Às vésperas da entrega do OSCAR, o mais importante prêmio do mundo cinematográfico, resolvi homenagear o gênio da simplicidade musical..Alfredo José da Silva,Johnny Alf.
Sei que neste período de estatuetas, são comuns reflexões ,sobre a sempre brilhante atuação de Meryl Streep, a disputa de melhor direção entre Avatar e Guerra ao Terror , atuação de Morgan Freeman em Invictus , a direção de James Cameron, Kathryn Bigelow e de Clint Eastwood e por último... como é bom ver os recadinhos de amigos, com os quais me reúno neste período, não só pra ver e comentar os vestidos de grifes desfilados no tapete vermelho, mas... pra somarmos idéias, reflexões e brindarmos ao encontro, como bons cinéfilos que somos !
Você deve estar se perguntando, o que Johnny Alf, tem a ver com isso?! Bem...ele também amava a Sétima Arte, tinha prazer em sentar à frente da telona e assim como eu, assistir inúmeras sessões. Em entrevista dada a João C. Rodrigues,ele afirma que a paixão começou com "Branca de Neve” do Walt Disney, com tempo, encantou-se com o cinema de Tarkovsky e Antonioni.Para ele,o cinema era como a vida, com planos longos e reveladores. Alimentar-se da Arte cinematográfica é ir além das palavras, das imagens, do figurino, da musicalidade. É conceber o movimento da cena, o poder da mesma sobre o espectador ! Observar o movimento em vida de J.Alff pela música é como observar um filme com um final não muito feliz. O músico, filho de uma ex-empregada doméstica, iniciou seus passos na musicalidade aos 10 anos e aos 14 já tinha predileção pelo francês Frédéric Chopin ,pelo compositor russo Tchaikovsky e pelos musicais de Hollywood. Talvez por esta formação musical, tão rica e ao mesmo tempo eclética, é que ele rejeitava rótulos de estilo musical. Por acreditar, que a música se expressa através da liberdade sonora, ele inspirava-se e criava rítmos variados. Gostava do Jazz, do Samba, da Bossa Nova...dos mais variados sons e expressões musicais. E...enquanto o filme AVATAR, de James Cameron, teve um investimento milionário(U$ 300 milhões) e já arrecadou mais de U$ 2 bilhões, nenhuma gravadora interessou-se em bancar "AVATAR"última produção musical de Johnny Alf. , um disco de estúdio que ele tanto desejou gravar,mas que infelizmente nem a Trama, nem Biscoito Fino apostou no projeto.
É triste constatar, que poucos sabem quem é Alfredo José da Silva , principalmente essa nova geração, que está cada vez mais ligada as festas movidas por música eletrônica(raves), sertaneja,axé, pagode, forró ...nada contra,( até porque como dizia o grande J.A. música é música.Mas, desconhecer valores musicais como este, é desconhecer as raizes da arte musical brasileira ...é negar a própria história! "Ah! se a juventude que esta brisa canta" cantasse de Norte a Sul poesias musicais como esta ! Moramos "num país tropical, abençoado por Deus e por natureza" como cata Jorge Ben. Aqui a Arte jorra como água na fonte e nosso povo é musicalmente rico,por natureza e vocação. É uma pena, não haver grandes investimentos na memória musical. . Talvez por isso, o nosso sempre rico Johnny Alf ,cujas músicas foram cantadas pelos talentosos e midiáticos cantores( Caetano, Gal Costa, Ivan Lins,Gilberto Gil,Egberto Gismont,Maria Bethania,Jorge Mautner,João Gilberto, Gal Costa, Emílio Santiago,Fátima Guedes, Elis Regina,Chico Buarque, Leni Andrade ...) da MPB, tenha terminado seus dias, com paraplegia , distante da mídia, só e deprimido doente e distante da mídia musical. Assim como na música, não era preciso " ser tão só prá ser um sonho" ,que o eleva agora pós morte.
Johnny Alf...você afirmou em entrevista, uma frase da Marilyn Monroe "Eu não quero ser rico. Eu quero ser maravilhoso" e o foi !
Encerro...com uma frase de Emily Bronte :
"Tive sonhos que entraram em minha vida e se misturaram,
alterando a cor da minha mente"
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